Um mês de 0,6%
O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,6% em setembro, com ajuste sazonal, informou o Bureau of Labor Statistics (BLS, o instituto americano de estatísticas do trabalho) na divulgação de 14 de outubro de 2026 — acima dos 0,4% de agosto. Em 12 meses até setembro, a alta foi de 3,7%, contra 3,4% no ano encerrado em agosto.
Analistas esperavam 0,6% no mês, mas 3,6% no acumulado de 12 meses, segundo a Fox Business. O núcleo da inflação — o índice sem alimentos e energia, os dois grupos que mais oscilam — subiu 0,3% no mês e 2,6% no ano, em ambos os casos um décimo acima das projeções.
A gasolina fez quase todo o trabalho
Os preços de energia subiram 5,2% em setembro e 20,4% em 12 meses. Só a gasolina ficou 9,1% mais cara no mês e 34,2% mais cara em um ano, e o BLS afirmou que ela respondeu por mais da metade da alta mensal do índice cheio.
Fora do posto, o quadro foi mais calmo. Alimentos ficaram estáveis no mês e subiram 2,5% em 12 meses, com queda de 0,1% no supermercado e alta de 0,2% na refeição fora de casa. A eletricidade subiu 0,2% no mês e 4,4% no ano. A habitação, o componente de maior peso no índice, subiu 0,4% e 3,2%. As passagens aéreas avançaram 1,2% no mês e 22,4% em 12 meses.
É essa divisão que torna o número difícil de ler numa direção só: uma alta puxada por combustível pode se desfazer tão rápido quanto apareceu, enquanto o núcleo de 2,6% é a parte que tende a ficar.
A reunião de outubro do Fed
A meta de juros do Federal Reserve (o banco central americano) está entre 3,75% e 4%, depois de uma elevação que foi a primeira desde 2023. O Federal Open Market Committee (o comitê de política monetária) se reúne nos dias 27 e 28 de outubro.
O dado de setembro mexeu com as expectativas. Na ferramenta CME FedWatch, a probabilidade de o Fed manter os juros caiu de 77,9% para 58,5% depois da divulgação, enquanto a chance de uma alta de 0,25 ponto percentual subiu de 22,1% para 41,5%.
"A inflação está se mostrando mais persistente do que muitos esperavam, sobretudo nos serviços", disse Adam Schickling, da Vanguard. Tim Urbanowicz, da Goldman Sachs Asset Management, afirmou que os números põem "em dúvida a pausa tática do Fed que o mercado tinha precificado para outubro".
Mercados
As bolsas caíram na manhã da divulgação. A Nasdaq recuou 1,42%, o S&P 500 caiu 0,95% e o Dow Jones cedeu 0,13%.
Com informações do Bureau of Labor Statistics e da Fox Business.




