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Política

Apple e Nvidia deram US$ 25 milhões cada ao salão de baile de Trump, numa lista de doadores que soma US$ 333 milhões

Registros internos a que o Washington Post teve acesso listam 67 doações acima de US$ 10 mil, pelo menos US$ 77 milhões entregues no anonimato e US$ 2,5 milhões da filha de um banqueiro que Trump perdoou em janeiro.

Por Redação RecortNews
Demolição da Ala Leste da Casa Branca, em Washington, em 22 de outubro de 2025. O salão de baile está sendo construído no terreno liberado.
Demolição da Ala Leste da Casa Branca, em Washington, em 22 de outubro de 2025. O salão de baile está sendo construído no terreno liberado.Foto: Hassan Albadawi/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Apple e Nvidia deram US$ 25 milhões cada ao salão de baile que o presidente Donald Trump está construindo no terreno da Ala Leste da Casa Branca, segundo registros internos a que o Washington Post teve acesso e que o jornal publicou na quinta-feira. Os documentos somam US$ 333 milhões em promessas de doação privada.

A lista traz 67 doações acima de US$ 10 mil, 57 delas de pelo menos US$ 100 mil. Pelo menos US$ 77 milhões vieram de doadores que pediram para não ser identificados — os US$ 25 milhões da própria Nvidia estavam entre as contribuições feitas sob anonimato, e a empresa só foi identificada pelos registros.

Quem está na lista

Ao lado de Apple e Nvidia, nos US$ 25 milhões, aparecem Miriam Adelson e Charlie Ergen, cofundador da EchoStar, que doou por meio de um fundo filantrópico. Uma fundação criada pelo ex-presidente do conselho da Marvel, Isaac Perlmutter, e sua mulher, Laura, deu US$ 20,3 milhões.

Microsoft, Lockheed Martin, Palantir e uma afiliada da Rocket Companies deram US$ 10 milhões cada. A Comcast deu US$ 7,5 milhões. Amazon, Cisco, Meta, ServiceNow, Elliott Management, Paul Singer, um fundo de Jeff Yass e o fundo de doações de David Baszucki e Jan Ellison deram US$ 5 milhões cada. O setor de criptomoedas e investidores da área respondem por cerca de US$ 18 milhões, mais de US$ 5 milhões deles dos gêmeos Tyler e Cameron Winklevoss.

Outros US$ 22 milhões chegaram ao projeto por um fundo criado pelo advogado de Trump, John P. Coale, que guardava o acordo de US$ 24,5 milhões pago pelo YouTube, do Google; o site Benzinga registra essa quantia como contribuição da Alphabet, controladora do Google. O nome de Trump não aparece em lugar algum da lista.

Pela conta do Washington Post, empresas de tecnologia e seus fundadores respondem por US$ 166,1 milhões — perto da metade de tudo o que foi arrecadado.

Um perdão e uma investigação arquivada

Dois registros ficam ao lado de decisões tomadas pelo governo.

Isabela Herrera prometeu US$ 2,5 milhões em setembro de 2025, um mês depois de as acusações de suborno contra seu pai, o banqueiro Julio Herrera Velutini, serem reduzidas a contravenção. Trump o perdoou em janeiro. Ela pagou US$ 835 mil da promessa em outubro.

A Federal Communications Commission (a agência reguladora de comunicações dos Estados Unidos) arquivou uma investigação sobre a EchoStar, de Ergen, pouco depois de ele se reunir com Trump e com o presidente da agência, Brendan Carr. A EchoStar obteve em seguida autorização para vender licenças de espectro à AT&T.

O porta-voz da Nvidia, John Rizzo, disse ao Washington Post que, "como empresa americana, nosso apoio aos Estados Unidos é prioritário e independente de qualquer interesse de negócio". A Casa Branca, a Microsoft, o Google e a Palantir não responderam aos pedidos de comentário feitos pelo Benzinga. O presidente do JPMorgan, Jamie Dimon, disse em novembro de 2025 que o banco não doaria, por estar atento ao risco de parecer que comprava favores políticos.

A conta

Trump avaliou o salão inicialmente em US$ 200 milhões e disse que doadores privados cobririam tudo, sem custo para o contribuinte. O custo projetado subiu desde então para cerca de US$ 600 milhões, e parte dele vem sendo paga com dinheiro público. O governo afirma que a obra está abaixo do orçamento e adiantada, com conclusão prevista para 2028.

A Ala Leste foi demolida em outubro de 2025 para liberar o terreno. O que a lista de doadores torna visível não é uma regra descumprida — dinheiro privado em obras da Casa Branca não é, por si, ilegal —, e sim a identidade de quem paga: um conjunto de empresas e investidores cujos assuntos regulatórios e contratos passam pelo mesmo prédio.

Com informações de Forbes, Benzinga, Democracy Now! e Just Security, todas citando registros internos obtidos pelo Washington Post.