Dois caças F-16 da Força Aérea Romena interceptaram e destruíram, na tarde deste sábado, dois drones de ataque que cruzaram o espaço aéreo do país sobre o mar Negro. O intervalo entre a primeira detecção e o segundo abate foi de pouco mais de seis minutos.
Segundo o Ministério da Defesa Nacional da Romênia, o primeiro aparelho entrou no espaço aéreo romeno às 17h59 (horário local) e foi derrubado em dois minutos, a cerca de 25 quilômetros a sudeste de Sulina, na foz do Danúbio. O segundo caiu às 18h05, a 20 quilômetros a leste da mesma cidade.
O que o governo romeno diz
Os dois caças estavam em missão de policiamento aéreo e decolaram da 86ª Base Aérea de Borcea, perto de Fetești, depois que os radares de vigilância detectaram vários alvos aéreos.
O ministro da Defesa, Radu Miruță, anunciou a ação em sua conta no Facebook: "Dois drones foram engajados e abatidos há poucos minutos por pilotos militares romenos", escreveu, acrescentando que os aparelhos haviam entrado ilegalmente em território romeno instantes antes. A declaração foi reproduzida pela agência AFP.
Em comunicado posterior, o ministério classificou os aparelhos como drones de ataque a jato da família Geran — a designação russa dos aparelhos derivados do projeto iraniano Shahed, usados em larga escala contra a Ucrânia. Nem o ministério nem o governo afirmaram publicamente que os drones eram russos; a Defesa tratou o episódio como violação de espaço aéreo, e tanto a Euronews quanto a AFP descreveram o caso como transbordamento da guerra na Ucrânia.
Não houve registro de feridos nem de danos em terra.
Bucareste leva o mar Negro à mesa da Otan
A chanceler Oana Țoiu reagiu nas redes sociais lembrando o peso econômico da região: o mar Negro é rota de exportação de grãos, energia e outras commodities. Ela afirmou que a Otan vai tratar de "defesa e dissuasão" no mar Negro em uma próxima reunião da aliança e concluiu: "O mar Negro voltará a ser seguro."
O episódio é o mais recente de uma sequência de incursões aéreas registradas pela Romênia nos últimos meses. Em agosto, um drone caiu em território romeno depois de voar sem ser detectado a altitude muito baixa; em junho, um drone marítimo explodiu no litoral do país; em maio, um aparelho atingiu um prédio residencial perto da fronteira com a Ucrânia.
A Romênia é membro da Otan desde 2004 e divide com a Ucrânia cerca de 600 quilômetros de fronteira, boa parte deles ao longo do Danúbio, a poucos quilômetros dos portos ucranianos de Izmail e Reni — alvos recorrentes de ataques russos desde o fim do acordo de exportação de grãos pelo mar Negro.
Com informações do Ministério da Defesa Nacional da Romênia, da Euronews e da AFP.




