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Colonos israelenses atacam diplomatas europeus na Cisjordânia, e a Bélgica diz que vai pedir novas sanções da UE

O cônsul-geral belga, diplomatas franceses e poloneses e representantes católicos foram cercados em Taybeh. Um prefeito francês foi agredido e um veículo belga, danificado; a polícia israelense abriu investigação.

Por Redação RecortNews
A aldeia palestina de Taybeh, na Cisjordânia, a nordeste de Jerusalém, em foto de 2005.
A aldeia palestina de Taybeh, na Cisjordânia, a nordeste de Jerusalém, em foto de 2005.Foto: Abraham Sobkowski OFM/Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0

Um grupo de colonos israelenses mascarados atacou neste sábado uma delegação diplomática europeia que visitava a aldeia palestina de Taybeh, a nordeste de Jerusalém, na Cisjordânia ocupada. O episódio virou crise diplomática: a Bélgica anunciou que vai pressionar por novas sanções da União Europeia, e o Ministério das Relações Exteriores de Israel disse ter procurado os embaixadores dos países envolvidos.

Quem estava no local

Segundo o chanceler belga, Maxime Prevot, o grupo reunia o cônsul-geral da Bélgica em Jerusalém, diplomatas da França e da Polônia e representantes católicos. Prevot afirmou que um prefeito francês foi agredido e que um veículo belga foi danificado, e informou que sua equipe estava a salvo.

A correspondente da Al Jazeera Nour Odeh relatou que os colonos cercaram os carros da delegação, atiraram pedras e quebraram os vidros. Imagens divulgadas pelo ativista Amit Orfali mostram homens mascarados exigindo documentos; Orfali afirmou que o grupo "ameaçou nos matar".

O prefeito francês agredido, Bernard Baudoux, disse que o ataque sugere "tolerância por parte do governo israelense".

As reações

Prevot atribuiu o episódio à "política ilegal de assentamentos" de Israel e disse que vai defender novas sanções no âmbito da União Europeia. Afirmou ainda que, como potência ocupante, Israel tem a obrigação de proteger os palestinos, e que a impunidade dos colonos violentos precisa acabar.

O chanceler francês, Jean-Noël Barrot, pediu que Israel prenda os "colonos extremistas" e os leve à Justiça.

Do lado israelense, as respostas divergiram:

  • o Exército classificou o ataque como um "ato grave de violência", mas disse que a visita não havia sido coordenada com os militares e que não havia soldados no local;
  • a polícia abriu investigação e afirmou condenar violência de qualquer natureza;
  • o chanceler Gideon Saar condenou os ataques publicamente e disse que o ministério estava em contato com os embaixadores dos países atingidos;
  • o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tratou os relatos como "alegados" e disse que exigem "provas convincentes", ainda que tenha reconhecido a existência de imagens.

A colheita da azeitona como pano de fundo

O ataque aos diplomatas não foi isolado. Na véspera, colonos atacaram pelo menos oito aldeias no norte da Cisjordânia. No mesmo sábado, segundo a Al Jazeera, houve feridos em Ma'in, em Masafer Yatta — seis pessoas, entre elas quatro mulheres e uma criança, pelo registro da Sociedade do Crescente Vermelho Palestino —, tiros contra colhedores em Deir Ammar e Deir Jarir e a morte de cerca de 20 ovelhas em Kafr Malek.

A violência se concentra na colheita da azeitona, período em que agricultores palestinos são historicamente alvo de ataques de colonos. Nour Odeh citou 300 ataques documentados desde o início de outubro. O Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) registrou 178 ataques de colonos ligados à colheita em 2025. Desde o início da safra deste ano, ao menos quatro pessoas foram mortas e mais de 100 feridas, de acordo com o Ministério da Saúde palestino.

O calendário político israelense também pesa: Netanyahu enfrenta eleições disputadas em menos de duas semanas.

Com informações da Euronews, da Al Jazeera, da AFP e da AP.