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Com 1.380 focos de calor em dez dias, Amazonas tem emergência reconhecida em 36 municípios e recebe a Força Nacional do SUS

Alta de 271% sobre o mesmo período de 2025, segundo o Censipam; equipe federal faz diagnóstico da rede de saúde, e hospitais já recebem pacientes com problemas respiratórios

Por Redação RecortNews
Área de floresta derrubada e queimada no município de Apuí, no Amazonas, em foto de agosto de 2020.
Área de floresta derrubada e queimada no município de Apuí, no Amazonas, em foto de agosto de 2020.Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real/Wikimedia Commons, CC BY 2.0

O Amazonas registrou 1.380 focos de calor entre 1º e 10 de outubro, alta de 271% sobre os 372 do mesmo período de 2025, segundo o Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). Diante do avanço das queimadas, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional reconheceu, de forma sumária, a situação de emergência decretada em 36 municípios do estado no sábado (10).

No dia seguinte, uma equipe da Força Nacional do SUS (FN-SUS) foi enviada ao estado para apoiar gestores estaduais e municipais na resposta aos efeitos das queimadas sobre os serviços de saúde.

O que a equipe de saúde foi fazer

A missão é montar um diagnóstico situacional da rede: identificar necessidades prioritárias, medir a capacidade de atendimento e planejar o apoio necessário para manter os serviços funcionando, incluindo os voltados a povos indígenas. O levantamento também avalia disponibilidade de profissionais e de insumos, transporte sanitário, fluxos de atendimento e demanda por serviços.

"A missão da Força Nacional do SUS é identificar onde a rede de saúde foi interrompida ou sobrecarregada", disse o diretor da FN-SUS, Rodrigo Stábeli. "Quanto antes a rede voltar a funcionar plenamente, menos a população sofrerá."

O resultado será encaminhado ao Ministério da Saúde e vai embasar a decisão conjunta entre União, estado e municípios sobre o tamanho do apoio federal — que pode ir de orientação técnica a equipes de campo e hospitais de campanha.

Fumaça e atendimento

A exposição à fumaça é apontada pelas autoridades sanitárias como risco para quadros respiratórios e cardíacos, com atenção especial a crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças pré-existentes. Hospitais do estado já começaram a receber pacientes com problemas respiratórios.

Em Manaus, a concentração de poluentes chegou a níveis críticos, perto de quatro vezes o limite considerado seguro pela Organização Mundial da Saúde, segundo a Agência Brasil. A prefeitura cancelou eventos municipais ao ar livre no domingo (11) e no feriado de segunda-feira (12), e aulas da rede municipal chegaram a ser suspensas.

Em setembro, o estado havia somado cerca de 3,7 mil focos de calor, quase quatro vezes o registrado no mesmo mês de 2025 — um indício de que o pico desta temporada se estendeu para além da janela habitual, que costuma se concentrar em agosto e setembro.

O combate

O governo federal mobilizou duas aeronaves KC-390 da Força Aérea Brasileira, previstas para chegar a Manaus no domingo (11) e operar a partir de segunda (12), além de quatro aviões Air Tractor e dois helicópteros. O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, viajou ao estado e afirmou que a resposta inclui a contratação de brigadistas e a liberação de recursos — possível justamente pelo reconhecimento da emergência.

Um sobrevoo da comitiva ministerial previsto para domingo foi cancelado por baixa visibilidade, segundo a Agência Brasil. O Ministério do Meio Ambiente informou que parte dos focos estava dentro de floresta preservada, o que sugere queima intencional; as causas estão sob investigação.

Equipes do Ministério do Meio Ambiente, da Defesa Civil Nacional e da Força Nacional do SUS permanecem no estado.

Com informações da Agência Gov, do Ministério da Saúde, da Agência Brasil e do SBT News.