A Câmara dos Deputados vai começar a próxima legislatura com 311 deputados reeleitos — 60,62% das 513 cadeiras —, a maior taxa de reeleição desde a redemocratização, segundo levantamento da Secretaria-Geral da Mesa da Casa divulgado na quarta-feira (14).
Pelo mesmo critério, a renovação ficou em 33,72%, a menor do período: é a fatia de eleitos que nunca exerceram o mandato de deputado federal. Outros 29 — 5,65% da Casa — são ex-deputados que voltam depois de um intervalo fora.
Por que a conta mudou depois da eleição
O número divulgado no dia seguinte ao pleito era menor. A primeira contagem considerava apenas os titulares; o levantamento final passou a incluir quem assumiu a cadeira na legislatura atual como suplente e se elegeu agora. É essa mudança de critério que explica a diferença entre as contas que circularam na semana da eleição e os 60,62%.
Levantamentos com metodologia própria chegaram a números próximos, mas não idênticos. O Poder360 contou 301 reeleitos e 183 estreantes, com taxa de renovação de 35,7% — também a menor em décadas pelo acervo do site, abaixo dos 39,4% de 2022 e bem distante dos 47,4% de 2018, o recorde recente.
O que o número diz
Taxa alta de reeleição não é novidade no Brasil, mas o patamar de 2026 interrompe a sequência das duas eleições anteriores, em que a Câmara trocou perto de metade de seus integrantes. Em uma Casa onde o tempo de mandato pesa na disputa por relatorias, presidências de comissão e acesso a emendas, uma bancada majoritariamente reconduzida tende a chegar com as estruturas de poder já montadas — e com menos cadeiras em aberto para quem é novato.
Os dados tratam apenas da composição eleita. A distribuição por partidos e a formação dos blocos para a próxima legislatura seguem em negociação: partidos do centro da Câmara já decidiram manter o bloco atual.
Com informações da Agência Câmara e do Poder360.




