Os presidentes Nayib Bukele, de El Salvador, e Laura Fernández, da Costa Rica, assinaram na noite de sexta-feira, 16 de outubro de 2026, em San Salvador, um acordo de cooperação contra o crime transnacional. O texto não foi divulgado.
Segundo a Presidência salvadorenha, a reunião bilateral se concentrou em segurança pública e no combate a estruturas criminosas que operam em mais de um país, e deixou assentadas as bases para assistência técnica, troca ágil de informações policiais e coordenação de inteligência entre instituições homólogas dos dois Estados.
Antes do encontro, Fernández percorreu o Centro de Confinamiento del Terrorismo (Centro de Confinamento do Terrorismo, ou Cecot), o presídio de segurança máxima de Tecoluca, com capacidade para cerca de 40 mil detentos, que se tornou o emblema da política de segurança de Bukele.
"Um monumento à justiça"
"O que vocês têm ali, mais do que um Cecot, é um monumento à justiça", disse Fernández na declaração conjunta posterior à reunião. A presidente afirmou que um dos objetivos centrais da viagem era conhecer de perto o funcionamento do presídio: "Vim conhecer em primeira mão essa experiência".
Fernández agradeceu o apoio e a assistência técnica salvadorenhos e sustentou que "hoje a Costa Rica também avança para se tornar uma referência em segurança". Sobre a relação com San Salvador, afirmou que "é nos momentos difíceis que se mede o apoio de um aliado" e que "nossos países uniram esforços, inteligência e experiências para enfrentar um inimigo comum".
Bukele marcou uma distância explícita entre as duas situações nacionais: "As realidades da Costa Rica e de El Salvador são diferentes, mas há muita coisa que se pode aprender". E recomendou agir cedo: "É melhor atacar agora e não esperar chegar aonde nós chegamos". O mandatário salvadorenho insistiu em reformas legais, coordenação institucional, operações policiais e inteligência, e reconheceu as dificuldades políticas que Fernández enfrenta para aprovar mudanças legislativas. Disse também que seu governo quer aprender com a Costa Rica em matéria ambiental e econômica.
O Cacco, a peça costa-riquenha
A visita ocorreu dois dias depois de a Costa Rica inaugurar sua própria prisão de segurança máxima, inspirada no modelo salvadorenho.
O Centro de Alta Contención contra el Crimen Organizado (Centro de Alta Contenção contra o Crime Organizado, ou Cacco) foi inaugurado na quarta-feira, 14 de outubro, ao lado do presídio La Reforma, em San Rafael de Alajuela, a cerca de 25 quilômetros de San José. Estes são seus números:
- Capacidade: 5.100 pessoas privadas de liberdade.
- Custo: 16,774 bilhões de colones, cerca de US$ 35 milhões, financiados integralmente com orçamento nacional.
- Estrutura: cinco módulos independentes de 1.020 detentos cada um, em 91 mil metros quadrados, dos quais 31 mil são cobertos e blindados.
- Transferências: as primeiras estão previstas para o fim de outubro, com um grupo inicial de 2.500 detentos.
O perfil dos internos, segundo o governo costa-riquenho, abrange chefes de gangues e de organizações criminosas, pistoleiros e presos com processos de extradição em curso.
Uma virada regional
A sequência — megapresídio inaugurado na quarta, visita ao Cecot na sexta, acordo de cooperação na mesma noite — condensa em três dias um deslocamento que vinha se formando: a Costa Rica, o país centro-americano com a tradição institucional mais distante do punitivismo da região, adota de forma aberta o repertório salvadorenho e o apresenta como política de Estado.
O que ainda não está à vista é o texto do acordo, nem que parte da experiência salvadorenha — que inclui um regime de exceção em vigor desde 2022 e objeções de organismos de direitos humanos — a Costa Rica considera adaptável ao seu próprio marco legal. O próprio Bukele reconheceu que as reformas legislativas são o ponto em que a presidente costa-riquenha tem menos margem.
Com informações da Presidência de El Salvador, da EFE, do La Prensa (Panamá), do La Noticia SV e da Bloomberg Línea.




