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Política

Costa Rica e El Salvador firmam acordo contra o crime transnacional após visita de Laura Fernández ao Cecot

A presidente costa-riquenha percorreu o presídio salvadorenho e o chamou de "um monumento à justiça", dois dias depois de inaugurar o Cacco, uma prisão de 5.100 vagas que custou cerca de US$ 35 milhões

Por Redação RecortNews
Vista aérea do Centro de Confinamiento del Terrorismo (Cecot), em Tecoluca, El Salvador, em imagem divulgada pela Presidência salvadorenha em 2023.
Vista aérea do Centro de Confinamiento del Terrorismo (Cecot), em Tecoluca, El Salvador, em imagem divulgada pela Presidência salvadorenha em 2023.Foto: Casa Presidencial, El Salvador/Wikimedia Commons, CC0

Os presidentes Nayib Bukele, de El Salvador, e Laura Fernández, da Costa Rica, assinaram na noite de sexta-feira, 16 de outubro de 2026, em San Salvador, um acordo de cooperação contra o crime transnacional. O texto não foi divulgado.

Segundo a Presidência salvadorenha, a reunião bilateral se concentrou em segurança pública e no combate a estruturas criminosas que operam em mais de um país, e deixou assentadas as bases para assistência técnica, troca ágil de informações policiais e coordenação de inteligência entre instituições homólogas dos dois Estados.

Antes do encontro, Fernández percorreu o Centro de Confinamiento del Terrorismo (Centro de Confinamento do Terrorismo, ou Cecot), o presídio de segurança máxima de Tecoluca, com capacidade para cerca de 40 mil detentos, que se tornou o emblema da política de segurança de Bukele.

"Um monumento à justiça"

"O que vocês têm ali, mais do que um Cecot, é um monumento à justiça", disse Fernández na declaração conjunta posterior à reunião. A presidente afirmou que um dos objetivos centrais da viagem era conhecer de perto o funcionamento do presídio: "Vim conhecer em primeira mão essa experiência".

Fernández agradeceu o apoio e a assistência técnica salvadorenhos e sustentou que "hoje a Costa Rica também avança para se tornar uma referência em segurança". Sobre a relação com San Salvador, afirmou que "é nos momentos difíceis que se mede o apoio de um aliado" e que "nossos países uniram esforços, inteligência e experiências para enfrentar um inimigo comum".

Bukele marcou uma distância explícita entre as duas situações nacionais: "As realidades da Costa Rica e de El Salvador são diferentes, mas há muita coisa que se pode aprender". E recomendou agir cedo: "É melhor atacar agora e não esperar chegar aonde nós chegamos". O mandatário salvadorenho insistiu em reformas legais, coordenação institucional, operações policiais e inteligência, e reconheceu as dificuldades políticas que Fernández enfrenta para aprovar mudanças legislativas. Disse também que seu governo quer aprender com a Costa Rica em matéria ambiental e econômica.

O Cacco, a peça costa-riquenha

A visita ocorreu dois dias depois de a Costa Rica inaugurar sua própria prisão de segurança máxima, inspirada no modelo salvadorenho.

O Centro de Alta Contención contra el Crimen Organizado (Centro de Alta Contenção contra o Crime Organizado, ou Cacco) foi inaugurado na quarta-feira, 14 de outubro, ao lado do presídio La Reforma, em San Rafael de Alajuela, a cerca de 25 quilômetros de San José. Estes são seus números:

  • Capacidade: 5.100 pessoas privadas de liberdade.
  • Custo: 16,774 bilhões de colones, cerca de US$ 35 milhões, financiados integralmente com orçamento nacional.
  • Estrutura: cinco módulos independentes de 1.020 detentos cada um, em 91 mil metros quadrados, dos quais 31 mil são cobertos e blindados.
  • Transferências: as primeiras estão previstas para o fim de outubro, com um grupo inicial de 2.500 detentos.

O perfil dos internos, segundo o governo costa-riquenho, abrange chefes de gangues e de organizações criminosas, pistoleiros e presos com processos de extradição em curso.

Uma virada regional

A sequência — megapresídio inaugurado na quarta, visita ao Cecot na sexta, acordo de cooperação na mesma noite — condensa em três dias um deslocamento que vinha se formando: a Costa Rica, o país centro-americano com a tradição institucional mais distante do punitivismo da região, adota de forma aberta o repertório salvadorenho e o apresenta como política de Estado.

O que ainda não está à vista é o texto do acordo, nem que parte da experiência salvadorenha — que inclui um regime de exceção em vigor desde 2022 e objeções de organismos de direitos humanos — a Costa Rica considera adaptável ao seu próprio marco legal. O próprio Bukele reconheceu que as reformas legislativas são o ponto em que a presidente costa-riquenha tem menos margem.

Com informações da Presidência de El Salvador, da EFE, do La Prensa (Panamá), do La Noticia SV e da Bloomberg Línea.