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Desmatamento na Amazônia cai 41,8% e chega a 3.335 km², o menor da série histórica iniciada em 1988

O Cerrado também bateu recorde, com 5.516,69 km² e queda de 23,8%. Pará, Mato Grosso e Amazonas, os três maiores desmatadores da Amazônia, recuaram mais de 45% cada

Por Redação RecortNews
Área derrubada e preparada para pecuária ou monocultura perto de Porto Velho, em Rondônia, em agosto de 2020.
Área derrubada e preparada para pecuária ou monocultura perto de Porto Velho, em Rondônia, em agosto de 2020.Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real, via Wikimedia Commons, CC BY 2.0

A Amazônia Legal perdeu 3.335 quilômetros quadrados de floresta entre agosto de 2025 e julho de 2026, o intervalo que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) chama de ano Prodes. É 41,8% menos que os 5.731 km² do ciclo anterior e o menor valor desde que a medição começou, em 1988.

Os dados foram apresentados nesta sexta-feira (16) em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, em Brasília, pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pelo Inpe.

O recorde anterior da série era de 2012, com 4.571 km². A marca caiu por uma diferença de mais de mil quilômetros quadrados — cerca de 27% abaixo do melhor ano já registrado até aqui.

O Cerrado também bateu recorde

No Cerrado, o desmatamento foi de 5.516,69 km², uma queda de 23,8% em relação aos 7.235,27 km² do período anterior. É o menor valor da série do bioma, que começou em 2001 — o mínimo anterior era de 6.319 km², em 2019.

Há uma diferença técnica entre os dois números. O da Amazônia é uma estimativa preliminar, calculada sobre um conjunto de imagens prioritárias; a taxa consolidada sai no primeiro semestre do ano seguinte. O do Cerrado já é consolidado, porque o mapeamento cobriu o bioma inteiro.

Onde a queda aconteceu na Amazônia

Oito dos nove estados da Amazônia Legal recuaram. A comparação é entre 2024/2025 e 2025/2026:

  • Pará: 2.064 → 1.130 km² (−45,3%)
  • Mato Grosso: 1.593 → 849 km² (−46,7%)
  • Amazonas: 979 → 525 km² (−46,4%)
  • Acre: 324 → 252 km² (−22,2%)
  • Rondônia: 229 → 149 km² (−34,9%)
  • Maranhão: 210 → 128 km² (−39,0%)
  • Tocantins: 30 → 8 km² (−73,3%)
  • Amapá: 17 → 8 km² (−52,9%)
  • Roraima: 285 → 286 km² (+0,4%)

Roraima foi a única exceção, com alta de 0,4% — uma variação pequena, mas que deixa o estado como o quarto maior desmatador do bioma neste ciclo, posição que não ocupava quando os três maiores estavam em outro patamar.

O Pará segue concentrando a maior parte do problema: os 1.130 km² derrubados no estado equivalem a 33,9% de todo o desmatamento da Amazônia no período.

No Cerrado, o Matopiba responde por 74,3%

Quatro estados — Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a região conhecida como Matopiba — somam 74,3% da área derrubada no bioma. Os números por estado:

  • Maranhão: 2.005,55 → 1.718,59 km² (−14,3%)
  • Tocantins: 1.489,02 → 1.263,06 km² (−15,2%)
  • Piauí: 1.350,44 → 625,24 km² (−53,7%)
  • Bahia: 789,91 → 489,75 km² (−38,0%)
  • Minas Gerais: 512,02 → 467,34 km² (−8,7%)
  • Mato Grosso: 455,39 → 454,52 km² (−0,2%)
  • Mato Grosso do Sul: 272,53 → 208,93 km² (−23,3%)
  • Goiás: 230,97 → 210,37 km² (−8,9%)
  • Demais estados (PA, RO, DF, SP e PR): 129,44 → 78,90 km² (−39,0%)

O que os dois números dizem juntos

Vale olhar a comparação entre os biomas. Mesmo com o recorde nos dois, o Cerrado perdeu 5.516,69 km² contra 3.335 km² da Amazônia — ou seja, o bioma hoje menos citado no debate público derrubou 65% mais área que a floresta. E o Cerrado teve queda menor (23,8% contra 41,8%), o que amplia a distância entre os dois.

Na comparação de quatro anos, o desmatamento da Amazônia caiu 71,2% em relação aos 11.594 km² de 2022. No Cerrado, a queda é de 48,4% em relação ao pico de 11.012 km² em 2023.

"Os números divulgados hoje são uma conquista histórica", disse Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, à InfoAmazonia.

O financiamento por trás

Na mesma apresentação, o governo citou o Fundo Clima, com orçamento reembolsável de R$ 14 bilhões em 2025 e R$ 27 bilhões em 2026, e metas de direcionar 25% dos recursos ao Norte e Nordeste e 20% à adaptação climática. A coletiva reuniu representantes da Casa Civil, do MMA, dos ministérios da Justiça, da Agricultura, da Ciência e Tecnologia e do Desenvolvimento Agrário, além do Inpe e do BNDES.

Com informações do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, do Inpe, da Casa Civil, do Observatório do Clima e da InfoAmazonia.