Pular para o conteúdo
RecortNews
Esportes

Fifa multa a federação espanhola em US$ 20 mil por cantos islamofóbicos e manda fechar 15% do estádio

A decisão rejeita a tese da RFEF de que "muçulmano" não é ofensa; a punição vem de um amistoso contra o Egito em 31 de março, empatado em 0 a 0 em Cornellà

Por Redação RecortNews
O estádio do RCD Espanyol, em Cornellà de Llobregat, onde Espanha e Egito empataram em março de 2026, em foto de 2023.
O estádio do RCD Espanyol, em Cornellà de Llobregat, onde Espanha e Egito empataram em março de 2026, em foto de 2023.Foto: RCD Espanyol de Barcelona/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A Fifa multou a Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) em US$ 20 mil e determinou o fechamento de pelo menos 15% das arquibancadas no próximo amistoso em casa da seleção espanhola, por causa de cantos islamofóbicos de parte da torcida em um amistoso contra o Egito. A punição foi anunciada na sexta-feira (16), depois que o órgão de apelação da entidade confirmou a decisão dos juízes disciplinares.

O jogo foi em 31 de março de 2026, no estádio do Espanyol, em Cornellà de Llobregat, nos arredores de Barcelona, e terminou em 0 a 0. Era um amistoso de preparação para a Copa do Mundo. O canto — "quem não pula é muçulmano" — foi entoado duas vezes, aos 10 e aos 47 minutos, segundo a AP. O hino nacional egípcio também foi vaiado antes do apito inicial.

Depois da segunda vez, o locutor do estádio emitiu uma advertência e o telão exibiu uma mensagem contra a discriminação. A polícia espanhola abriu investigação no dia seguinte sobre os cantos, que classificou como islamofóbicos e xenófobos.

A tese que a Fifa recusou

O ponto central da decisão não é o valor da multa, e sim o que a Fifa decidiu sobre o significado da palavra.

A RFEF argumentou que "muçulmano" não é um termo insultuoso nem pejorativo e que, por isso, o caso deveria ser enquadrado no dispositivo sobre mensagens políticas, ideológicas, religiosas ou ofensivas — e não no artigo sobre discriminação e abuso racista, que prevê punições mais duras.

O comitê disciplinar rejeitou a tese. Entendeu que a regra sobre discriminação não exige um insulto explícito e que uma palavra neutra pode se tornar discriminatória pelo contexto, quando usada como "insulto, deboche ou marcador de inferioridade", conforme relatou a Al Jazeera.

Os juízes escreveram que "sanções severas eram necessárias", mas levaram em conta que era a primeira infração da federação espanhola, que houve "medidas preventivas" e que seus dirigentes "cooperaram plenamente com os árbitros da partida e com as autoridades competentes" quando os cantos começaram.

O fechamento só vale em 2027 ou 2028

A parte mais pesada da punição é também a que demora mais para ser cumprida. Como a Espanha joga amistosos em casa com pouca frequência, os 15% de assentos fechados só devem valer em junho de 2027 ou em março de 2028, segundo a AP. A Fifa abriu a possibilidade de que esses lugares, em vez de ficarem vazios, sejam destinados a famílias, estudantes e entidades antidiscriminação.

"Usar uma religião como deboche"

Lamine Yamal, ponta da seleção espanhola e muçulmano, condenou os cantos na época, em publicação no Instagram, em abril. Chamou-os de desrespeitosos e intoleráveis: "Usar uma religião como deboche em campo faz você parecer ignorante e racista."

A RFEF classificou a punição como desproporcional e, segundo o site The New Arab, afirmou que levará o caso ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS). A federação havia condenado os cantos e colaborado com as autoridades na identificação dos responsáveis.

Com informações da Al Jazeera, do The New Arab e da Fox Sports (com reportagem da Associated Press).