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Cultura

Guatemala sepulta nesta segunda os restos de Miguel Ángel Asturias, 52 anos depois do enterro em Paris

O Nobel de Literatura de 1967 vai descansar no Centro Cultural que leva seu nome, numa urna em forma de semente com terra dos 22 departamentos do país

Por Redação RecortNews
Miguel Ángel Asturias nos estúdios da Unesco, em Paris, em 1968, um ano depois de receber o Prêmio Nobel de Literatura.
Miguel Ángel Asturias nos estúdios da Unesco, em Paris, em 1968, um ano depois de receber o Prêmio Nobel de Literatura.Foto: Dominique Roger/Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 IGO

Os restos de Miguel Ángel Asturias, o primeiro romancista hispano-americano a receber o Prêmio Nobel de Literatura, voltam nesta segunda-feira à Guatemala depois de 52 anos no cemitério parisiense do Père-Lachaise. O sepultamento está previsto para 19 de outubro no Centro Cultural que leva seu nome, na capital, e o governo anunciou que no mesmo dia dará os detalhes da cerimônia.

Uma data com três aniversários

O 19 de outubro reúne três marcas: é o dia em que Asturias nasceu, em 1899; o Dia Nacional do Escritor na Guatemala; e o aniversário da jornada de 1967 em que o autor soube que havia ganhado o Nobel. Os restos saíram da França em 15 de outubro, e as homenagens começaram no mesmo dia, com quatro noites de cerimônias e um ato central no parque Kaminal Juyú. Em 8 de outubro, o Instituto Cervantes na França realizou um ato de despedida.

O decreto e o pedido da família

A transferência foi determinada em junho pelo Acuerdo Gubernativo 104-2026 (decreto do governo guatemalteco), assinado pelo presidente Bernardo Arévalo, que instruiu o Ministerio de Relaciones Exteriores (Ministério das Relações Exteriores) e o Ministerio de Cultura y Deportes (Ministério da Cultura e Esportes) a coordenar o retorno. O processo seguiu um pedido formal da família, encabeçado pelo filho do escritor, Miguel Ángel Asturias Amado.

O ministro de Cultura e Esportes, Luis Méndez Salinas, anunciou o plano em 9 de junho — dia em que se completavam 52 anos da morte do autor — numa ofrenda floral diante do monumento a ele na Avenida de la Reforma.

Uma urna em forma de semente

O monumento funerário será um pavilhão entre a Plaza Maya e a Plaza de las Mujeres do Centro Cultural Miguel Ángel Asturias, com um busto do escritor voltado para os vulcões e uma marca que alude ao jogo de bola maia. O projeto é do arquiteto Alejandro Paz, e a acadêmica Lucrecia Méndez de Penedo vai selecionar as frases da obra que ficarão expostas no local.

A urna terá forma de semente — um grão ou uma espiga de milho, em referência a Homens de milho — e vai conter terra dos 22 departamentos do país. O Ministerio de Cultura y Deportes estimou o custo do conjunto entre 1 e 1,5 milhão de quetzales (GTQ), com recursos do próprio orçamento, segundo o vice-ministro Emiliano Valdés Melendreras. O espaço ficará aberto ao público de forma permanente, e o ministério propôs transformar em política de Estado as atividades culturais a cada dia 19 do mês.

Quem foi

Nascido na Cidade da Guatemala em 1899, Asturias recebeu o Nobel de Literatura em 1967, o primeiro para um romancista hispano-americano. Morreu em Madri em 9 de junho de 1974 e foi enterrado em Paris, onde viveu parte da vida como escritor e diplomata. Entre seus livros estão Lendas da Guatemala, O senhor presidente e Homens de milho.

Com informações de Infobae e Prensa Libre.