Durante a maior parte deste ano, a pergunta sobre inteligência artificial em Wall Street era quanta receita ela acabaria produzindo. Na semana encerrada na sexta-feira, 16 de outubro de 2026, a pergunta mudou: quem está carregando a dívida que pagou por tudo isso, e a que custo.
O Nasdaq Composite caiu 2,14% na sexta-feira, aos 26.140,03 pontos, com queda de quase 5% nas cinco sessões — a pior semana desde junho e o fim de uma sequência de quatro semanas de alta. O S&P 500 perdeu 1,09% no dia, aos 7.659,44 pontos, e mais de 2% na semana. O Dow Jones, menos exposto à tecnologia, recuou 175,28 pontos, ou 0,34%, aos 52.002,41 — e ainda assim terminou a semana com alta de 0,7%.
S&P 500 e Nasdaq fecharam abaixo de suas médias móveis de 50 dias. O Cboe Volatility Index, a medida padrão de turbulência esperada do mercado, saltou cerca de 30% na sexta-feira e passou de 22 pela primeira vez em quatro meses. Os dois índices haviam atingido máximas históricas cerca de dez dias antes.
Uma empresa concentrou o argumento
A CoreWeave, que aluga capacidade de computação para o desenvolvimento de IA e tem a Nvidia entre seus investidores, caiu entre 12% e 14% na sexta-feira — o número varia conforme o levantamento — e perdeu cerca de um quarto do valor na semana. Está mais de 60% abaixo do pico que alcançou pouco depois de sua abertura de capital, em março de 2025.
O número ao qual os investidores sempre voltam é o endividamento: a dívida total da CoreWeave passou de US$ 51 bilhões. Gil Luria, chefe de pesquisa de tecnologia da D.A. Davidson, disse à CNN que a dúvida não é se a demanda por IA é real — ele a considera real e crescente —, mas se uma empresa que se expande nessa velocidade, com custos de financiamento subindo junto com os juros dos títulos, consegue gerar o suficiente para pagar o que deve. Michael Rosen, da Angeles, ficou do outro lado: afirmou que o aumento na emissão de dívida merece atenção, mas que o mercado não está perto de níveis excessivos.
As ações haviam subido brevemente na quinta-feira, depois que o presidente-executivo da Nvidia, Jensen Huang, falou favoravelmente sobre a empresa à Bloomberg. O ganho durou um dia.
O giro no setor de chips
A CrowdStrike caiu 7% na sexta-feira e a Oracle, 4,5%. O ETF VanEck Semiconductor recuou 3% no dia e 10% na semana, sua maior queda semanal desde abril de 2025, com Micron, AMD e Sandisk liderando as perdas. Um outro índice de chips, bastante acompanhado, caiu 3,9% na sexta-feira, no oitavo dia consecutivo de baixa; está mais de 20% abaixo do pico de junho, mas ainda acumula alta de quase 60% no ano — uma lembrança de quanto o setor havia corrido antes deste mês.
Essa distância importa para além do setor. Os semicondutores respondem por cerca de um quinto do valor de mercado do S&P 500, de modo que uma correção nos chips não permanece por muito tempo como assunto de um setor só.
A reprecificação não ficou restrita aos Estados Unidos. O Kospi sul-coreano, pesado em SK Hynix e Samsung Electronics, caiu 14,5% na semana, a pior desde 2008 — e segue com alta de cerca de 35% no ano.
Petróleo e o Fed
O petróleo subiu enquanto as bolsas caíam, pela tensão entre Washington e Teerã e pela guerra na Ucrânia. O WTI avançou 3,51%, a US$ 101,41 o barril, e o Brent, 3,72%, a US$ 109,86.
Energia cara e bolsa nervosa chegam duas semanas antes da reunião do Federal Reserve (o banco central americano) em 27 e 28 de outubro. Os preços na ferramenta FedWatch da CME apontavam 82% de probabilidade de manutenção dos juros naquele encontro — um mercado que espera o banco central parado enquanto digere o que a semana significou.
Com informações da CNN, da NBC News, da CNBC e do CoinCentral.




