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Naufrágio de até 4.700 anos achado a 30 metros de profundidade na Turquia pode ser o mais antigo já encontrado

Mais de 30 ânforas e três âncoras de pedra apareceram perto da ilha de Kekova; a análise da argila aponta para oficinas do vale do Jordão, e alguns potes ainda guardam um resíduo viscoso.

Por Redação RecortNews
A ilha de Kekova e o vilarejo de Kaleköy, no litoral mediterrâneo da Turquia, vistos da fortaleza de Simena em 2019. O naufrágio foi localizado nas águas dessa região.
A ilha de Kekova e o vilarejo de Kaleköy, no litoral mediterrâneo da Turquia, vistos da fortaleza de Simena em 2019. O naufrágio foi localizado nas águas dessa região.Foto: Bjørn Christian Tørrissen/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Um barco afundado há 4.400 a 4.700 anos no litoral mediterrâneo da Turquia pode ser o naufrágio mais antigo já encontrado. O Ministério da Cultura e Turismo turco divulgou nesta quarta-feira (14) os detalhes da escavação do sítio, localizado a cerca de 30 metros de profundidade perto da ilha de Kekova, na província de Antália.

A embarcação tinha aproximadamente 10 metros de comprimento e transportava carga pelo Mediterrâneo. Nenhuma estrutura de madeira sobreviveu: o que resta no fundo do mar são mais de 30 ânforas de cerâmica e três âncoras de pedra — estas últimas ainda não associadas com certeza ao mesmo barco.

A datação veio do formato dos potes

Sem madeira preservada, a datação por radiocarbono não foi possível. Os pesquisadores estimaram a idade comparando o formato e a decoração dos potes com peças achadas em outros sítios, o que situa o naufrágio na Idade do Bronze Antiga.

É essa estimativa que sustenta a reivindicação de recorde — e também a cautela dos especialistas, já que a margem de 300 anos é grande. O naufrágio mais antigo conhecido até agora foi localizado em 1975 perto da ilha grega de Dokos; o Instituto Helênico de Arqueologia Marinha data sua carga em torno de 2200 a.C., portanto posterior às datas propostas para Kekova. O célebre naufrágio de Uluburun, também na costa turca, afundou por volta de 1300 a.C.

Argila do vale do Jordão

A análise da argila indica que as ânforas foram fabricadas longe dali. "As análises de argila indicam que as ânforas provavelmente foram produzidas em oficinas no vale do Jordão", afirmou o ministro Mehmet Nuri Ersoy, que disse estar trazendo à luz "os vestígios do naufrágio mais antigo do mundo".

Peças semelhantes já apareceram no Egito — nas áreas das pirâmides de Gizé, Saqqara e Abusir —, em Troia e em Creta. O estudo preliminar, publicado em julho na revista Journal of Maritime Archaeology por Hakan Öniz e Ceyda Öztosun, indica que o barco navegava de leste para oeste quando afundou, o que sugere uma rota saindo de um porto do Levante em direção a Troia ou Creta.

O que havia dentro

Parte das ânforas chegou intacta ao fundo e guarda um resíduo viscoso e brilhante. As análises ainda em curso tentam determinar se os potes carregavam azeite, vinho, resina de árvore ou outro produto.

Karin Sowada, arqueóloga da Universidade Macquarie, na Austrália, disse à BBC ter se surpreendido com a quantidade de material preservado dentro dos recipientes. Ela ponderou que os potes podem ter sido esvaziados e reutilizados, de modo que os resíduos talvez correspondam a mais de um uso.

Uma peça chamou a atenção por outro motivo: marcada com nove símbolos e furada em dois pontos do corpo, pode ter funcionado como batedeira para produzir queijo ou manteiga. Ersoy sugeriu que os marinheiros preparassem parte da própria comida nas viagens longas.

Quem escava

A Universidade Akdeniz documentou o naufrágio em uma prospecção subaquática em 2024, e dois potes foram recolhidos em 2024 e 2025. A escavação foi retomada neste ano sob a direção do Museu de Antália, com autorização do ministério; a coordenação científica é de Hakan Öniz.

As peças estão em conservação e estudo e devem ser exibidas no futuro Museu de Arqueologia Subaquática do Mediterrâneo, em Antália.

Com informações de Daily Sabah e The National.