O Banco Central del Paraguay (BCP, banco central paraguaio) divulgou na sexta-feira, 16 de outubro de 2026, seu Informe de Política Monetaria (IPoM, relatório de política monetária) de setembro e voltou a melhorar o quadro que projeta para o ano: o crescimento esperado do produto interno bruto passou de 4,5% para 5% e a previsão de inflação caiu de 3,3% para 3%.
É o segundo ajuste na mesma direção em três meses. Na revisão de julho, o BCP já havia elevado o crescimento de 4,2% para 4,5% e cortado a inflação de 3,5% para 3,3%. A instituição confirmou os dois números do IPoM de setembro em seu perfil oficial na rede social X.
De onde sai o meio ponto
A correção não vem da demanda interna das famílias. O BCP atribui a melhora ao desempenho previsto dos serviços e do setor de eletricidade e água, com maior geração nas duas binacionais — Itaipu, compartilhada com o Brasil, e Yacyretá, com a Argentina — e uma distribuição de energia elétrica em expansão.
A mudança mais marcada está no gasto do Estado. A projeção de consumo público saltou de 1,5% para 4,5%, uma virada de três pontos percentuais. O consumo privado, por outro lado, foi cortado de 4,3% para 4,1%. O banco também espera uma contribuição maior das exportações líquidas.
Do lado dos preços, o BCP explica o corte por uma trajetória mais moderada dos bens não energéticos, tanto alimentícios quanto não alimentícios, e alerta em paralelo para pressões maiores vindas do custo dos combustíveis. É o ponto em que as duas revisões se encontram: a mesma energia que empurra o crescimento pela via hidrelétrica é a que pode tensionar o índice pela via da bomba.
O número no contexto regional
Os dados chegam depois de dois anos de expansão alta para o tamanho da economia paraguaia: 4,7% em 2024 e 6,6% em 2025. O presidente Santiago Peña celebrou a revisão no X, onde afirmou que uma economia forte significa "desenvolvimento, mais empregos e mais oportunidades", e citou dados do Banco Mundial que projetam crescimento de 4,7% para o Paraguai, mais do que o dobro da média da América Latina e do Caribe.
A comparação tem um marco recente: no começo de outubro o Fundo Monetário Internacional cortou para 2,3% o crescimento previsto para a América Latina em 2026. Com 5%, o Paraguai ficaria mais de duas vezes acima dessa média regional. O relatório não detalha a trajetória da taxa de política monetária.
Com informações do Banco Central del Paraguay, ABC Color, Última Hora, Revista Plus, La Tribuna, 5Días e EFE.




