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Política

Oposição colombiana marcha em cerca de dez cidades na primeira paralisação nacional contra De la Espriella

Quatro trajetos convergiram para a Praça Bolívar, em Bogotá, e o calendário sindical aponta para uma greve geral em 11 ou 20 de novembro

Por Redação RecortNews
A Praça Bolívar, em Bogotá, ponto de chegada dos quatro trajetos da marcha de 14 de outubro, em panorâmica de 2018.
A Praça Bolívar, em Bogotá, ponto de chegada dos quatro trajetos da marcha de 14 de outubro, em panorâmica de 2018.Foto: Javierleiva/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A oposição colombiana voltou às ruas nesta quarta-feira, 14 de outubro de 2026, na primeira paralisação nacional convocada contra o governo de Abelardo de la Espriella, que assumiu a Presidência em 7 de agosto. As marchas reuniram milhares de pessoas em cerca de dez cidades e abriram um calendário de mobilizações que as centrais sindicais querem encerrar em novembro com uma greve geral.

Quatro trajetos até a Praça Bolívar

Em Bogotá, a concentração principal partiu do Parque Nacional no meio da manhã e avançou por quatro trajetos que convergiram para a Praça Bolívar. Houve marchas também em Cali, Medellín, Barranquilla, Manizales, Bucaramanga e Cúcuta. Segundo a agência EFE, não houve incidentes relevantes nas concentrações principais.

Convocaram a jornada a Central Unitaria de Trabajadores (CUT, maior central sindical do país), dirigida por Fabio Arias, e a Confederación General del Trabajo (CGT), de Percy Oyola, junto a organizações sociais que fecharam o plano em uma reunião de 11 e 12 de setembro. Foram às ruas centrais sindicais, professores, estudantes universitários, coletivos LGBTI e comunidades indígenas. O Pacto Histórico, a coalizão de esquerda, participou sem figurar como convocante formal.

O Consejo Regional Indígena del Cauca (Cric, organização indígena do departamento do Cauca) chamou uma mobilização própria para a mesma quarta-feira e anunciou de antemão que não recorreria a bloqueios nem a outras ações diretas.

Uma pauta que mistura trabalho, meio ambiente e o direito de protestar

As palavras de ordem cobriram frentes bem distintas. No campo trabalhista, os convocantes pedem a reversão da revogação de onze circulares do Ministério do Trabalho sobre liberdade sindical e trabalho doméstico, entre outros temas. No orçamento, rejeitam os cortes no SENA, o serviço nacional de formação profissional, e na Agencia para la Reincorporación y la Normalización (ARN), que atende ex-combatentes, além do fim dos subsídios de energia — ponto especialmente sensível na região do Caribe.

Somam-se a isso a revogação das Áreas de Protección para la Producción de Alimentos (Appa), a reversão das resoluções que desfizeram a delimitação do páramo de Santurbán, a rejeição ao estatuto antiterrorista que o Ministério do Interior impulsiona e a oposição aos limites ao aborto propostos pelo governo. As organizações indígenas protestam ainda contra um projeto de decreto que criaria um sistema de informação sobre as guardas indígenas, que temem possa ser usado para judicializar seus integrantes.

Entre as bandeiras sindicais e colombianas também havia bandeiras palestinas e críticas ao alinhamento do governo com Washington.

O decreto assinado um dia antes

O ponto mais político da pauta tem data recente: o Decreto 1525 de 2026, que regula o protesto social e que De la Espriella assinou na véspera da jornada. O texto estabelece que as autoridades devem buscar o diálogo com os manifestantes, mas esclarece que esse diálogo não é condição prévia para agir contra quem cometa atos violentos.

Na segunda-feira, o presidente havia dito que o protesto pacífico é uma garantia constitucional que não autoriza agredir outros cidadãos, destruir bens, ameaçar trabalhadores nem bloquear ambulâncias e serviços de emergência. O procurador-geral, Gregorio Eljach, afirmou que o protesto é um direito com "limites" e pediu que a paralisação fosse "pacífica".

Petro na marcha, sem microfone

O ex-presidente Gustavo Petro somou-se brevemente à concentração de Bogotá, mas não falou aos manifestantes. Fez isso depois no X: "O povo não se rende, caramba". Congressistas do Pacto Histórico já haviam dito que Petro apoiava a mobilização, e em um chamado público ele pediu a seus militantes que se preparassem para uma greve geral em 2027 por um salário mínimo vital.

O senador Wilson Arias, do Pacto Histórico, resumiu a leitura do setor: "É o momento oportuno para protestar". O dirigente de oposição Iván Cepeda acusou o governo de buscar "intimidar as pessoas" e afirmou que "o medo acaba se convertendo na forma em que a Força Pública atua".

O teste é em novembro

Arias descreveu o 14 de outubro como um "plano de teste": se a convocação funcionar, a CUT avalia uma paralisação nacional em 11 ou 20 de novembro. O dia escolhido já limita o resultado, e os próprios convocantes reconheceram isso antes da jornada: a deputada Isabel Vera previu que uma quarta-feira útil empurra a adesão para os trabalhadores sindicalizados, os que podem marchar sem temer represálias.

Entre os analistas consultados pelo La Silla Vacía antes da jornada, Alejandro Chala advertiu que uma adesão baixa mostraria que a esquerda não leu o momento e gastaria cedo demais o impulso do protesto; Víctor Muñoz, da Guarumo, apontou que a oposição carece de um tema ou de uma liderança que a unifique e que a marcha também funciona como teste das estruturas regionais do petrismo com vistas a 2027.

A própria CUT chega dividida: Arias e outros nove dos vinte e um membros do comitê executivo nacional assinaram uma carta em que denunciam que uma "nova maioria mínima" de onze integrantes está alinhada com De la Espriella. Carlos Rivas, um dos mencionados, nega que esse grupo seja pró-governo e afirma que seguem na oposição.

Com informações de EFE, Infobae e La Silla Vacía.