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Os EUA chegam a 4.410 casos de sarampo em 2026, quase o dobro de todo o ano passado

O CDC somou 330 casos em uma semana e contabiliza 451 internações e 42 surtos; só a Pensilvânia tem 1.222 casos e cinco mortes

Por Redação RecortNews
Criança com a clássica erupção de sarampo no quarto dia, em foto sem data dos Centers for Disease Control and Prevention, dos Estados Unidos.
Criança com a clássica erupção de sarampo no quarto dia, em foto sem data dos Centers for Disease Control and Prevention, dos Estados Unidos.Foto: CDC/NIP/Barbara Rice/Wikimedia Commons, Public domain

Os Estados Unidos registraram 4.410 casos confirmados de sarampo em 2026, informaram em 16 de outubro os Centers for Disease Control and Prevention (CDC), o órgão federal americano de controle de doenças, com dados até o dia 15. São 330 a mais do que na semana anterior e cerca de 93% acima dos 2.289 casos de todo o ano de 2025.

Quarenta e sete jurisdições, incluindo o Distrito de Columbia, notificaram casos. Dezoito dos casos deste ano foram em visitantes estrangeiros.

O formato do surto

O CDC contabiliza 42 novos surtos em 2026 — número que não se moveu na última semana — e atribui a esses aglomerados 4.228 dos 4.410 casos, ou 96%. O sarampo nos Estados Unidos não está chegando como casos importados dispersos: ele circula em comunidades onde há gente não vacinada em quantidade suficiente para sustentar uma cadeia de transmissão.

As internações somam 451, cerca de uma a cada dez casos, 37 a mais em uma semana. A taxa é mais alta nas duas pontas da faixa etária: 15% das crianças de menos de 5 anos e 14% dos adultos de 20 anos ou mais foram hospitalizados. Na divisão por idade, a faixa de 5 a 19 anos responde por 42% dos casos, os adultos de 20 anos ou mais por 41% e as crianças de menos de 5 anos por 17%.

O número de mortes é onde o registro federal e o estadual divergem. A tabela nacional do CDC lista duas mortes e informa que o dado está sujeito a mudança. Só a secretaria de saúde da Pensilvânia confirmou cinco mortes associadas ao sarampo em seu surto, com uma sexta sob investigação — uma diferença que reflete a defasagem entre o estado confirmar um óbito e a contagem nacional do CDC incorporá-lo.

Pensilvânia e Nova York

A Pensilvânia tem o maior surto do país: 1.222 casos em 42 condados até 14 de outubro, incluindo 86 notificados desde o dia 9, e 225 internações. A pedido do estado, o CDC enviou um investigador do Epidemic Intelligence Service, o serviço federal de inteligência epidemiológica. Desde o início do surto, no fim de abril, equipes estaduais aplicaram mais de 5.900 doses da vacina tríplice viral em 202 postos temporários.

Nova York seguiu outro caminho. A governadora Kathy Hochul decretou emergência estadual em 5 de outubro, com validade até 4 de novembro. A ordem amplia a lista de profissionais de saúde autorizados a vacinar e dá mais margem para enfermeiros solicitarem exames de sarampo — um afrouxamento administrativo dirigido ao gargalo, não ao vírus.

O número por baixo do número

O sarampo exige cerca de 95% de cobertura com duas doses da vacina tríplice viral para parar de circular numa população. Nos Estados Unidos, a cobertura na pré-escola caiu de 95,2% no ano letivo de 2019-20 para 92,4% em 2025-26. O CDC estima que essa lacuna deixa cerca de 280 mil crianças da pré-escola desprotegidas.

Os dois pontos estão a três pontos percentuais de distância no papel. Na prática, ficam de lados opostos do limiar em que um caso importado se apaga sozinho em vez de virar surto — e é essa aritmética que está por trás de um ano em que 96% dos casos americanos de sarampo estavam ligados a surtos.

Com informações dos Centers for Disease Control and Prevention e da Al Jazeera.