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Quênia confirma o terceiro caso de ebola, uma mulher de 65 anos que já estava em quarentena desde 6 de outubro

127 dos 130 contatos do primeiro paciente, morto em 5 de outubro, estão isolados; a OMS entregou US$ 70 mil em insumos e recomenda não fechar fronteiras

Por Redação RecortNews
Micrografia eletrônica colorizada de uma partícula do vírus Ebola, produzida nos laboratórios do CDC, a agência de saúde pública dos Estados Unidos.
Micrografia eletrônica colorizada de uma partícula do vírus Ebola, produzida nos laboratórios do CDC, a agência de saúde pública dos Estados Unidos.Foto: CDC/Cynthia Goldsmith/Wikimedia Commons, domínio público

O Ministério da Saúde do Quênia confirmou em 16 de outubro o terceiro caso de ebola no país: uma mulher de 65 anos, parente próxima do primeiro paciente, que morreu na noite de 5 de outubro. Ela estava em quarentena desde 6 de outubro e foi isolada depois de apresentar febre, dor de garganta e fraqueza generalizada.

A infecção foi confirmada por exames no Laboratório Nacional de Referência em Virologia e no Instituto de Pesquisa Médica do Quênia (KEMRI). A paciente foi transferida para uma unidade de doenças infecciosas, onde recebe cuidado de suporte.

É a primeira vez que o ebola circula no Quênia. O primeiro caso, um queniano que havia voltado de viagem à República Democrática do Congo, morreu em 5 de outubro. O segundo, um homem de 39 anos, foi confirmado em 14 de outubro e está estável, respondendo bem ao tratamento, segundo o ministério. O país soma, portanto, três casos e uma morte.

127 de 130 contatos isolados

As equipes de saúde identificaram 130 contatos do primeiro paciente — familiares, amigos, profissionais de saúde e passageiros do mesmo voo. Até 16 de outubro, 127 deles (97,7%) estavam em quarentena, com medição de temperatura e checagem de sintomas por 21 dias. Os três restantes seguiam sendo localizados.

O ministério afirma que a taxa de rastreamento supera o parâmetro internacional de 85% e que "não há evidência de transmissão comunitária da doença".

O detalhe que organiza o caso é outro: os dois casos mais recentes são parentes próximos do primeiro e já estavam em quarentena quando adoeceram. A detecção não aconteceu na porta de uma emergência, e sim no monitoramento diário de quem já estava sob acompanhamento — a diferença entre um surto rastreado e um surto perdido de vista.

"Estar em quarentena significa que a família e o público em geral ficam mais protegidos da exposição ao vírus", disse Neema Rusibamayila Kimambo, representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Quênia. "É a resposta funcionando como foi desenhada", afirmou Patrick Amoth, diretor-geral de Saúde do ministério, que acrescentou: "Notificar cedo salva vidas."

Bundibugyo, sem vacina licenciada

A espécie em circulação é a Bundibugyo, uma das que causam doença em humanos. Não há vacina licenciada nem tratamento específico contra ela — os ensaios clínicos estão em andamento na República Democrática do Congo, onde o surto atual foi declarado em maio de 2026. O cuidado é de suporte: hidratação e tratamento dos sintomas em unidades designadas.

A OMS entregou ao Quênia insumos avaliados em cerca de US$ 70 mil, entre equipamento de proteção individual, kits de teste para ebola e termômetros infravermelhos, e apoiou o treinamento de quase 5 mil profissionais de saúde. O Quênia começou a se preparar em maio, quando o surto foi declarado no país vizinho.

Sem fechar fronteiras

A OMS recomenda não fechar fronteiras nem restringir o comércio, e o ministério queniano afirma que o país segue aberto, sem restrição a viagens, comércio ou reuniões públicas.

O governo distribuiu equipamento a 28 condados de alto risco e a pontos de entrada, e passou a exigir de viajantes procedentes de dez países de alto risco um formulário digital de vigilância, apresentado por QR code na chegada. Do início do surto, em maio, até 15 de outubro, 685.027 pessoas foram rastreadas, segundo o ministério. Uma linha telefônica gratuita, o 719, atende a população.

Com informações da Organização Mundial da Saúde (escritório regional para a África) e do Nairobi News.