A atividade econômica argentina recuou 1,7% em agosto de 2026 ante o mesmo mês do ano anterior, a maior retração anual registrada no ano e a segunda consecutiva. O dado, do Estimador Mensual de Actividad Económica (EMAE, o índice mensal de atividade), foi divulgado nesta quarta-feira, 21 de outubro, pelo Instituto Nacional de Estadística y Censos (INDEC, o instituto nacional de estatística argentino).
Contra julho, na série dessazonalizada, a atividade avançou apenas 0,1%, um repique que mal compensa a queda de 2,9% do mês anterior. A série tendência-ciclo ficou sem variação. No acumulado de janeiro a agosto, a economia ainda mostra alta de 1,2% em relação ao mesmo período de 2025.
Dez setores em baixa, cinco em alta
Dos quinze setores que compõem o índice, dez recuaram na comparação anual e cinco cresceram.
As quedas mais fortes foram as da pesca, de 15,7%, e a dos impostos líquidos de subsídios, de 4,2%. Vieram em seguida a intermediação financeira (-3,8%), o comércio atacadista e varejista (-3,5%), a indústria de transformação (-3,2%), o transporte e as comunicações (-2,9%), a construção (-2,5%), a administração pública (-1,6%), a agropecuária (-1%), os outros serviços comunitários e pessoais (-0,6%) e o ensino (-0,3%).
O peso dessas quedas não é igual. A indústria e o comércio, pelo tamanho que têm no índice, subtraíram sozinhos 0,9 ponto percentual do resultado geral.
A queda do setor agropecuário traz um dado adicional: é a primeira depois de doze meses seguidos de crescimento e a mais acentuada desde setembro de 2023.
Entre os setores que cresceram, a extração de minas e pedreiras voltou a liderar, com 11,1%, seguida por eletricidade, gás e água (4,3%), hotéis e restaurantes (3,1%), saúde e serviços sociais (0,6%) e atividades imobiliárias e empresariais (0,4%). Os três primeiros somaram 0,6 ponto percentual.
O contraste com a leitura oficial
O ministro da Economia, Luis Caputo, destacou que a série tendência-ciclo está 6,6% acima do nível de dezembro de 2023, uma comparação que mede o acumulado da gestão, e não o movimento do mês.
A diferença entre as duas leituras é de perspectiva, mais do que de aritmética: os 6,6% olham para o ponto de partida, enquanto o -1,7% descreve para onde a economia se move agora. Com duas quedas anuais seguidas e um repique mensal de apenas um décimo, o dado reacendeu entre analistas o alerta sobre uma possível recessão técnica no terceiro trimestre de 2026 — dois trimestres consecutivos de contração do PIB dessazonalizado —, que será confirmada ou descartada com o número de setembro.
Com informações de Los Andes, RoadShow e dados do INDEC.




