O advogado Mario Baudry, que representa Diego Fernando Maradona, o filho mais novo do jogador, pediu nesta terça-feira, 13 de outubro de 2026, que o neurocirurgião Leopoldo Luque e a coordenadora médica Nancy Forlini sejam condenados a 16 anos de prisão pela morte de Diego Armando Maradona, e que sejam presos imediatamente.
O pedido supera em quatro anos o que a promotoria havia feito cinco dias antes, e marca o momento mais duro da fase de alegatos no Tribunal Oral en lo Criminal n.º 7 de San Isidro (tribunal criminal de San Isidro), na região norte da Grande Buenos Aires.
Quanto cada parte pediu
Em 8 de outubro, os promotores Patricio Ferrari e Cosme Iribarren haviam pedido 12 anos para Luque, 10 para Forlini — responsável pela internação domiciliar na Swiss Medical — e 8 para a psiquiatra Agustina Cosachov, os três por homicídio simples com dolo eventual. Para o psicólogo Carlos Díaz, o coordenador de enfermagem Mariano Perroni e o enfermeiro Ricardo Almirón, pediram de 4 a 5 anos por homicídio culposo, com proibição de exercer a profissão. Sobre o clínico Pedro Di Spagna, anunciaram que não apresentariam acusação.
Baudry aderiu à tese da promotoria, mas elevou as penas: 16 anos para Luque e Forlini, 14 para Cosachov e 12 para Díaz, que ele quer ver condenado por homicídio simples com dolo eventual, e não por homicídio culposo. Para Almirón e Perroni pediu 5 anos cada, por homicídio culposo. E concordou com os promotores na absolvição de Di Spagna, a mesma posição do advogado de Diego Maradona Junior.
A figura em discussão, o dolo eventual, descreve quem previu que sua conduta podia causar a morte e seguiu adiante de todo modo. É a chave do julgamento: separa uma condenação por negligência, com penas de poucos anos, de uma por homicídio, que na Argentina começa em 8 anos.
"Com um simples diurético"
Em sua exposição, Baudry sustentou que a morte era evitável e que Maradona poderia ter sido salvo "con un simple diurético" ("com um simples diurético"). Mostrou ainda trocas de mensagens entre Luque e pessoas do entorno do jogador, e acusou a defesa do neurocirurgião de tentar jogar a responsabilidade sobre Di Spagna, a quem descreveu como "el perejil de la película" — expressão argentina para quem entra numa história como figurante e acaba levando a culpa. Também pediu que se investigue Mariana Flichmann, gerente de risco da Swiss Medical, que depôs como testemunha indicada por Forlini.
Na semana anterior, Ferrari havia encerrado o alegato da promotoria com frases igualmente duras: disse que Luque "fez tudo o que era possível para que as coisas dessem errado" e classificou a internação domiciliar como "a mais deficiente e temerária internação de todos os tempos".
Como o processo segue
Nesta terça à tarde estava previsto o alegato de Félix L'Infante, advogado de Jana Maradona. Na quarta-feira, 14, falam Fernando Burlando, por Dalma e Gianinna Maradona, e Pablo Jurado, pelas irmãs do jogador. As defesas dos sete acusados fazem seus alegatos em 20, 21 e 22 de outubro, e depois o tribunal entra em deliberação: o veredicto pode sair em dezembro.
Este é o segundo julgamento do caso. O primeiro, de 2025, foi anulado após a remoção da juíza Julieta Makintach por sua participação num projeto de documentário sobre o próprio processo. O novo julgamento começou em 14 de abril e, segundo a contagem da imprensa argentina, acumula cerca de 45 audiências e mais de 70 testemunhas. Maradona morreu em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, numa casa do bairro San Andrés, em Tigre, onde se recuperava de uma cirurgia por um hematoma subdural.
Com informações de MDZ, La Nación, El Informador e Infocielo.




