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Aeroporto de Riade segue fechado no terceiro dia, e 46% dos voos da Arábia Saudita são cancelados

A GACA não deu data de reabertura; dez ataques a cinco aeroportos sauditas entre 5 e 11 de outubro mataram ao menos 20 pessoas, e quase 1.500 voos caíram em 48 horas

Por Redação RecortNews
O interior do Terminal 3 do Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade, em foto de 2008. O complexo que abriga os terminais 3 e 4 foi atingido nos ataques de 10 e 11 de outubro de 2026.
O interior do Terminal 3 do Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade, em foto de 2008. O complexo que abriga os terminais 3 e 4 foi atingido nos ataques de 10 e 11 de outubro de 2026.Foto: DearEdward from New York, NY, USA/Wikimedia Commons, CC BY 2.0

A Autoridade Geral de Aviação Civil da Arábia Saudita (GACA) informou nesta segunda-feira (12) que o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade, continua com as operações suspensas enquanto são concluídos os procedimentos para verificar "a segurança e a prontidão operacional das instalações do aeroporto". O órgão não deu data nem hora para a reabertura.

É o terceiro dia seguido de paralisação do aeroporto da capital saudita, fechado desde o ataque de sábado (10) — o mais letal de uma sequência que, segundo levantamento da agência turca Anadolu, soma dez ataques a cinco aeroportos do país entre 5 e 11 de outubro, com ao menos 20 mortos e centenas de feridos. Os houthis, do Iêmen, assumiram a autoria da maior parte deles e descrevem as ações como retaliação a bombardeios sauditas contra infraestrutura civil iemenita.

Cinco ataques em seis dias no mesmo aeroporto

O Rei Khalid foi atingido cinco vezes no período; o Rei Fahd, em Dammam, duas. Também foram alvo os aeroportos de Abha, Jazan e Najran.

  • 6 e 7 de outubro — ataques combinados de mísseis e drones atingiram Riade, onde morreu um cidadão sudanês e oito pessoas ficaram feridas, e Abha, com duas mortas (uma argelina e uma marroquina) e 28 feridas.
  • 8 de outubro — duas investidas contra o Rei Khalid mataram três sauditas, entre eles um piloto da Saudia, e destruíram um Airbus A321-200 da companhia. O aeroporto voltou a operar normalmente no dia seguinte.
  • 10 de outubro — um míssil balístico atingiu o complexo que abriga os terminais 3 e 4. A GACA registrou 12 mortos e 309 feridos; um cidadão indiano morreu no domingo em decorrência dos ferimentos, elevando o total para 13.
  • 11 de outubro — um projétil atingiu o Terminal 4 por volta das 20h30 no horário local e provocou incêndio em um salão de passageiros. Morreu um residente paquistanês, e 11 pessoas ficaram feridas. A coalizão liderada pela Arábia Saudita não atribuiu de imediato esse disparo.

Quase metade dos voos do país cancelada

A empresa de análise de aviação Cirium calculou que 46,4% de todos os voos programados na Arábia Saudita estavam cancelados às 16h de segunda-feira no horário dos Emirados Árabes Unidos. No domingo, o percentual de cancelamentos em Riade chegou a 99,7%.

Os números do Flightradar24 vão na mesma direção: 655 voos cancelados em Riade no domingo (98% da programação) e, na manhã de segunda, 436 em Riade (64%), 115 em Jeddah (15%) e 63 em Dammam (27%). Em 48 horas, quase 1.500 voos foram cancelados no país.

As companhias estrangeiras estenderam as suspensões por janelas bem mais longas do que a do próprio aeroporto — um sinal de que o setor não trabalha com reabertura iminente. A Etihad cancelou todos os voos entre Abu Dhabi e Riade até 19 de outubro; o Grupo Lufthansa suspendeu a rota até 16 de outubro; a flydubai, até 14 de outubro. A Emirates cancelou os seis voos diários entre Dubai e Riade na segunda-feira. O aviso de segurança da agência de aviação americana (FAA) para o espaço aéreo saudita vale até 10 de dezembro.

Recado às companhias e efeitos fora da aviação

Os houthis renovaram o aviso a companhias e passageiros internacionais para não usarem aeroportos e o espaço aéreo da Arábia Saudita, que descrevem como alvos potenciais enquanto durarem as operações militares.

Os efeitos já saíram do terminal. Escolas de Riade passaram ao ensino remoto. A BP desistiu de participar do congresso de energia da capital, e outros executivos do setor não conseguiram chegar. Cerca de 500 passageiros bengaleses ficaram retidos na cidade.

No Iêmen, o governo reconhecido internacionalmente aprovou um projeto de lei que classifica os houthis como "organização terrorista" e informou ter realizado bombardeios em posições do grupo nas províncias de Marib e Taiz.

A escalada preocupa também pelo que está perto dos aeroportos atingidos: instalações de petróleo e as rotas de navegação do estreito de Bab al-Mandeb, onde os houthis tomaram áreas estratégicas no mês passado. Um fechamento prolongado do principal centro aéreo da capital de um dos maiores exportadores de petróleo do mundo tende a aparecer menos nas estatísticas de voo do que nos contratos de energia.

Com informações da Autoridade Geral de Aviação Civil da Arábia Saudita (GACA), Al Jazeera, Anadolu, Gulf Business e The National.