A arrecadação federal somou R$ 239,384 bilhões em setembro, o maior valor já registrado para o mês desde o começo da série histórica da Receita Federal, em 2000. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (22) pelo órgão, em Brasília. Descontada a inflação medida pelo IPCA, o resultado representa alta de 5,62% sobre setembro do ano passado.
O número veio praticamente em linha com o que o mercado esperava: a mediana das estimativas reunidas pelo Broadcast Projeções apontava R$ 239,640 bilhões, dentro de um intervalo que ia de R$ 235 bilhões a R$ 256 bilhões. Em agosto, a arrecadação havia ficado em R$ 235,566 bilhões.
Das receitas de setembro, R$ 231,4 bilhões são tributos administrados diretamente pela Receita Federal, com alta real de 5,03%.
O que puxou o mês
A maior contribuição isolada veio da folha de pagamentos. A receita previdenciária chegou a R$ 64,588 bilhões, alta real de 6,18%, resultado associado ao crescimento da massa salarial e à arrecadação do Simples Nacional.
Dois movimentos de política tributária aparecem com clareza nos números do mês:
- Imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos de capital: R$ 12,061 bilhões, alta real de 9,87%. O salto é atribuído à tributação de dividendos, que passou a valer em 2026, e a um avanço nominal de 9,68% nas aplicações de renda fixa.
- Imposto de exportação sobre óleo bruto: R$ 2,943 bilhões. O tributo, de alíquota de 12%, é recente e ainda não tinha base de comparação equivalente no ano anterior.
Já o IRPJ e a CSLL somaram R$ 29,820 bilhões em setembro, com alta real de apenas 1,06% — o item de menor variação entre os principais.
Na direção oposta, o IOF recolheu R$ 8,041 bilhões no mês, queda real de 9,06%.
No ano, R$ 2,351 trilhões
De janeiro a setembro, a arrecadação federal acumula R$ 2,351 trilhões, com alta real de 6,97% — também o melhor desempenho da série para o período. Só as receitas administradas pela Receita Federal chegam a R$ 2,250 trilhões, com avanço real de 6,89%.
A composição do acumulado:
| Tributo | Jan–set 2026 | Variação real |
|---|---|---|
| Receita previdenciária | R$ 575,925 bilhões | +5,16% |
| PIS/Pasep e Cofins | R$ 466,555 bilhões | +4,10% |
| IRPJ e CSLL | R$ 444,238 bilhões | +5,76% |
| IRRF sobre rendimentos de capital | R$ 131,151 bilhões | +5,76% |
| IOF | R$ 75,750 bilhões | +19,49% |
O avanço de 19,49% do IOF no ano contrasta com a queda do mês e tem explicação de calendário: a alíquota foi elevada em junho de 2025, em meio a um impasse com o Congresso, de modo que a base de comparação dos primeiros meses de 2026 ainda é anterior ao aumento.
Quanto do recorde é extraordinário
A Receita identifica R$ 23,869 bilhões de receitas atípicas no acumulado do ano — ou seja, entradas que não se repetem com regularidade. Desse total, R$ 11 bilhões vêm de recolhimentos pontuais de IRPJ e CSLL e R$ 12,869 bilhões do imposto de exportação sobre óleo bruto.
O número ajuda a dimensionar o recorde: as receitas atípicas correspondem a cerca de 1% do que a União arrecadou de janeiro a setembro. O grosso do crescimento, portanto, vem de base recorrente — folha de pagamentos, consumo e lucro das empresas — e não de eventos isolados.
Também entram no ano as mudanças aprovadas pelo Congresso no fim de 2025, que elevaram a tributação de fintechs, de apostas e dos juros sobre capital próprio. No caso das fintechs, a CSLL subiu de 9% para 12% até o fim de 2027 e vai a 15% a partir de 2028; os bancos pagam 20%.
Com informações da CNN Brasil e do Estadão Conteúdo, com base no relatório de arrecadação da Receita Federal.




