A Província Oriental da Arábia Saudita, onde está concentrada a infraestrutura de petróleo do país, foi alvo de dois ataques na quarta-feira (21) que mataram quatro pessoas e feriram ao menos dez. Um deles atingiu o Aeroporto Internacional King Fahd, em Dammam. O outro, o campo de Shaybah, no deserto de Rub' al-Khali, perto da fronteira com os Emirados Árabes Unidos. Os dois são atribuídos aos houthis, que não reivindicaram publicamente nenhuma das ações.
No dia seguinte, o mercado de petróleo reagiu: o barril do tipo Brent subiu 1,7% e passou de US$ 110.
Dois mortos e oito feridos no aeroporto de Dammam
A Autoridade Geral de Aviação Civil saudita (Gaca, na sigla em inglês) informou, em comunicado divulgado pela agência estatal SPA, que o ataque ao King Fahd matou duas pessoas e feriu oito. Segundo o órgão, os mortos são "um cidadão saudita e um residente de nacionalidade indiana".
Entre os feridos há um saudita, dois indianos, dois iemenitas, dois bangladeshis e um nepalês, com lesões que, nas palavras da Gaca, "variam de leves a graves". O aeroporto suspendeu as operações, desviou voos e só retomou o tráfego normal na quinta-feira, depois da avaliação dos danos.
Em Shaybah, destroços de um drone abatido
O Ministério da Energia da Arábia Saudita afirmou que o campo de Shaybah foi alvo de um drone derrubado pelas defesas antiaéreas e que os destroços caíram perto de uma planta de processamento, atingiram o veículo de uma empresa contratada e provocaram um incêndio. Morreram um filipino e um nepalês, e outras duas pessoas ficaram feridas.
O ministério disse que a produção não foi afetada. Shaybah extrai cerca de 1 milhão de barris de petróleo por dia.
O preço do barril subiu na quinta
Na manhã de quinta-feira (22), o Brent era negociado a US$ 110,63 — alta de 1,7%, ou US$ 1,81 —, e o WTI, a US$ 98,52, avanço de 1,4%, ou US$ 1,37, segundo levantamento do jornal emiradense The National.
Outubro soma 22 mortos em ataques a aeroportos sauditas
Uma contagem da agência France-Presse reproduzida pelo Arab News chega a 22 mortos em ataques contra aeroportos do reino apenas em outubro. Os episódios mais graves foram em Riad: no dia 10, um míssil atingiu um terminal do Aeroporto Internacional King Khalid e matou 13 pessoas, com mais de 300 feridos; no dia seguinte, um projétil atingiu o Terminal 4 e matou um paquistanês, ferindo outros 11. Em 6 de outubro, um ataque ao aeroporto de Abha deixou 2 mortos e 28 feridos.
A infraestrutura de exportação também foi atingida. Em 5 de outubro, segundo o The National, o fluxo pelo oleoduto Leste-Oeste foi interrompido depois que uma estação de bombeamento a leste de Riad foi danificada. O duto tem capacidade para cerca de 7 milhões de barris por dia e serve justamente para levar o petróleo saudita a terminais no mar Vermelho sem passar pelo estreito de Ormuz — a rota alternativa que o reino usaria caso Ormuz ficasse inviável.
Interceptações, protestos e aviões britânicos
A Coalizão para Restaurar a Legitimidade no Iêmen informou na quinta-feira ter interceptado e destruído cinco drones sobre Riad e Medina, além de outros quatro abatidos sobre a Província Oriental mais cedo no mesmo dia.
O embaixador da Índia em Riad, Shri Vipul, condenou os dois ataques e disse que eles "devem cessar imediatamente". Washington determinou a saída de funcionários não essenciais do governo americano e de seus familiares da Arábia Saudita, citando os ataques a aeroportos civis e a infraestrutura crítica. O Reino Unido anunciou nesta semana o envio de caças RAF Typhoon para ajudar a defender o espaço aéreo saudita.
A escalada remonta ao colapso, em julho, do período de relativa calma no Iêmen, ao bloqueio marítimo declarado pelos houthis contra a Arábia Saudita e a uma ofensiva do grupo em setembro, que tomou território do governo iemenita na costa do mar Vermelho. A Coalizão iniciou uma contraofensiva.
Com informações de Arab News, The National e Democracy Now.



