A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) reduziu nesta quinta-feira, 22 de outubro de 2026, sua projeção de crescimento para a região a 2% em 2026, dois décimos abaixo dos 2,2% que estimava em agosto. Para 2027, o organismo das Nações Unidas manteve sem alteração a previsão de 2,5%.
O corte confirma que a região emendará mais um ano dentro da faixa estreita em que se move desde o começo da década: o crescimento foi de 2,3% em 2023 e em 2024, e de 2,4% em 2025.
Um continente em várias velocidades
A média regional esconde distâncias muito grandes entre as economias. Segundo a tabela divulgada pelo organismo, a projeção para 2026 ficou assim:
- Venezuela: 6,5%
- Panamá, Paraguai e El Salvador: 4,5% cada
- República Dominicana: 4,4%
- Guatemala: 4,1%
- Nicarágua: 3,7%
- Honduras e Costa Rica: 3,5%
- Peru: 3%
- Equador: 2,6%
- Colômbia: 2,4%
- Brasil: 2,1%
- Argentina: 1,9%
- México: 1,6%
- Caribe insular (sem a Guiana): 1,2%
- Uruguai: 1%
- Bolívia e Chile: 0,2%
- Haiti: -1,5%
- Cuba: -10,3%
Chile e Bolívia dividem o último lugar entre as economias que ainda crescem, com dois décimos. Haiti e Cuba são os únicos países com projeção negativa, e a queda cubana de 10,3% é, de longe, a maior da tabela.
Para o leitor brasileiro, o dado mais direto é o 2,1% atribuído ao Brasil — acima da Argentina (1,9%) e do México (1,6%), abaixo da Colômbia (2,4%) e do Peru (3%), e praticamente na média regional.
O que explica o corte
A Cepal atribuiu o ajuste a "um contexto internacional de elevada incerteza". Em seu comunicado, o organismo afirmou que "as tensões geopolíticas, as rupturas nas rotas logísticas e a menor previsibilidade da política comercial" estão mudando as condições em que operam as economias da região: afetam a demanda externa e elevam os custos de produção e de importação.
A isso se somam os preços da energia e dos alimentos. Aí o efeito se divide em dois, conforme a posição de cada país: os exportadores de matérias-primas podem se beneficiar de preços mais altos, enquanto "as economias importadoras enfrentam pressões sobre seus custos e sobre o poder de compra das famílias", advertiu o organismo.
Essa divisão ajuda a ler a tabela. Boa parte dos países com projeções mais altas são economias pequenas e abertas da América Central e do Caribe, enquanto os grandes exportadores manufatureiros do sul do continente ficam embaixo.
Um corte que já vinha
Não é o primeiro ajuste do ano. Na atualização de projeções de abril, a Cepal já havia baixado a estimativa regional para 2026 de 2,3% para 2,2%, num exercício em que cortou também a previsão para a América do Sul — de 2,9% para 2,4% — e para o Caribe de língua inglesa e neerlandesa sem a Guiana, de 2% para 1,2%.
Com a revisão desta quinta-feira, a projeção acumula dois cortes em seis meses e se afasta dos 2,5% que o organismo continua defendendo para 2027, um número que a própria Cepal condicionou ao cenário internacional e aos eventuais efeitos do El Niño.
Com informações de EFE, BioBioChile, Infobae, Forbes México, Portafolio e Cepal.




