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Economia

Cepal corta para 2% o crescimento da América Latina em 2026 e deixa Chile e Bolívia em 0,2%

O organismo reduziu em dois décimos sua estimativa de agosto. A Venezuela lidera a tabela com 6,5% e só Cuba (-10,3%) e Haiti (-1,5%) aparecem em retração. O Brasil fica em 2,1%.

Por Redação RecortNews
A entrada do edifício da Cepal, sede do organismo no bairro de Vitacura, em Santiago do Chile, em 2020.
A entrada do edifício da Cepal, sede do organismo no bairro de Vitacura, em Santiago do Chile, em 2020.Foto: Carlos Figueroa Rojas/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) reduziu nesta quinta-feira, 22 de outubro de 2026, sua projeção de crescimento para a região a 2% em 2026, dois décimos abaixo dos 2,2% que estimava em agosto. Para 2027, o organismo das Nações Unidas manteve sem alteração a previsão de 2,5%.

O corte confirma que a região emendará mais um ano dentro da faixa estreita em que se move desde o começo da década: o crescimento foi de 2,3% em 2023 e em 2024, e de 2,4% em 2025.

Um continente em várias velocidades

A média regional esconde distâncias muito grandes entre as economias. Segundo a tabela divulgada pelo organismo, a projeção para 2026 ficou assim:

  • Venezuela: 6,5%
  • Panamá, Paraguai e El Salvador: 4,5% cada
  • República Dominicana: 4,4%
  • Guatemala: 4,1%
  • Nicarágua: 3,7%
  • Honduras e Costa Rica: 3,5%
  • Peru: 3%
  • Equador: 2,6%
  • Colômbia: 2,4%
  • Brasil: 2,1%
  • Argentina: 1,9%
  • México: 1,6%
  • Caribe insular (sem a Guiana): 1,2%
  • Uruguai: 1%
  • Bolívia e Chile: 0,2%
  • Haiti: -1,5%
  • Cuba: -10,3%

Chile e Bolívia dividem o último lugar entre as economias que ainda crescem, com dois décimos. Haiti e Cuba são os únicos países com projeção negativa, e a queda cubana de 10,3% é, de longe, a maior da tabela.

Para o leitor brasileiro, o dado mais direto é o 2,1% atribuído ao Brasil — acima da Argentina (1,9%) e do México (1,6%), abaixo da Colômbia (2,4%) e do Peru (3%), e praticamente na média regional.

O que explica o corte

A Cepal atribuiu o ajuste a "um contexto internacional de elevada incerteza". Em seu comunicado, o organismo afirmou que "as tensões geopolíticas, as rupturas nas rotas logísticas e a menor previsibilidade da política comercial" estão mudando as condições em que operam as economias da região: afetam a demanda externa e elevam os custos de produção e de importação.

A isso se somam os preços da energia e dos alimentos. Aí o efeito se divide em dois, conforme a posição de cada país: os exportadores de matérias-primas podem se beneficiar de preços mais altos, enquanto "as economias importadoras enfrentam pressões sobre seus custos e sobre o poder de compra das famílias", advertiu o organismo.

Essa divisão ajuda a ler a tabela. Boa parte dos países com projeções mais altas são economias pequenas e abertas da América Central e do Caribe, enquanto os grandes exportadores manufatureiros do sul do continente ficam embaixo.

Um corte que já vinha

Não é o primeiro ajuste do ano. Na atualização de projeções de abril, a Cepal já havia baixado a estimativa regional para 2026 de 2,3% para 2,2%, num exercício em que cortou também a previsão para a América do Sul — de 2,9% para 2,4% — e para o Caribe de língua inglesa e neerlandesa sem a Guiana, de 2% para 1,2%.

Com a revisão desta quinta-feira, a projeção acumula dois cortes em seis meses e se afasta dos 2,5% que o organismo continua defendendo para 2027, um número que a própria Cepal condicionou ao cenário internacional e aos eventuais efeitos do El Niño.

Com informações de EFE, BioBioChile, Infobae, Forbes México, Portafolio e Cepal.