O julgamento oral das causas Hotesur e Los Sauces começa nesta sexta-feira, 23 de outubro de 2026, às 10h, na Sala Auditório de Comodoro Py, o complexo de tribunais federais de Buenos Aires, com a ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner e o deputado Máximo Kirchner entre os réus. O caso está nas mãos do Tribunal Oral Federal 5 (TOF 5), formado pelos juízes José Michilini, Adriana Palliotti e Fernando Machado Pelloni.
A acusação sustenta que as duas empresas da família Kirchner — a Los Sauces, de aluguel de imóveis, e a Hotesur, ligada à exploração hoteleira — funcionaram como fachada para canalizar dinheiro de empresários que tinham contratos de obra pública durante os governos kirchneristas. Os procuradores do julgamento são Diego Velasco e Juan Agustín Argibay Molina, e a Unidad de Información Financiera (UIF), o órgão antilavagem argentino, atua como assistente de acusação.
Duas causas, um só julgamento
O tribunal havia decidido julgar os dois processos separadamente. A Sala I da Cámara Federal de Casación Penal (corte de cassação penal da Argentina) reverteu essa decisão e ordenou a unificação: os juízes Daniel Antonio Petrone e Diego Barroetaveña votaram a favor, com a divergência de Alejandro Slokar. O argumento central foi que dois julgamentos sobre a mesma manobra produziriam duas sentenças.
Para a acusação, trata-se de uma única operação de lavagem executada por meio de duas sociedades do mesmo grupo familiar, com sobrepreços, aluguéis simulados e irregularidades contábeis. Segundo a denúncia, 86% do faturamento da Los Sauces vinha de empreiteiras do Estado.
Trinta e dois réus
São 32 acusados: 12 respondem nas duas causas, 7 apenas em Hotesur e 13 apenas em Los Sauces. Entre eles estão Florencia Kirchner; o empresário Lázaro Báez, apontado pelos procuradores como organizador da manobra; e Cristóbal López e Fabián De Sousa, donos do Grupo Indalo. A hipótese da acusação é que os pagamentos de aluguel das empresas de Báez e do Indalo à Los Sauces integravam o circuito de lavagem. A firma Valle Mitre administrou parte dos hotéis.
A participação remota, limitada à abertura
O tribunal autorizou, por maioria, que Cristina Fernández e Máximo Kirchner acompanhem a primeira audiência por videoconferência. A ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar, conecta-se do seu apartamento no bairro de Constitución, o que evita o deslocamento até os tribunais de Retiro; o deputado pediu participação remota para conciliar o julgamento com a atividade parlamentar.
"A virtualidade será excepcional e limitada à abertura", afirmou o tribunal: todos os advogados devem estar na sala, e as audiências seguintes serão presenciais, salvo autorização expressa. A decisão se apoiou no curto intervalo entre a decisão da cassação e o início do julgamento, que dificultava assegurar a presença de todos os réus, alguns deles domiciliados fora da jurisdição.
Três audiências por semana
O TOF 5 fixou três audiências semanais — segundas, sextas e sábados — e reservou os sábados 24 e 31 de outubro, além da primeira semana do recesso judiciário de janeiro de 2027. A juíza Palliotti advertiu que o cronograma pode mudar se as partes pedirem o prazo de dez dias de preparação previsto no código processual. As audiências são transmitidas ao vivo pelo canal do Poder Judicial de la Nación (Poder Judiciário argentino) no YouTube.
É o terceiro julgamento oral que Cristina Fernández enfrenta e o primeiro de Máximo Kirchner. Na causa Vialidad, a ex-presidente foi condenada a seis anos de prisão e à inabilitação perpétua para cargos públicos. Em Hotesur-Los Sauces, a defesa sustenta que as operações das empresas foram lícitas, faturadas e bancarizadas. A imunidade parlamentar de Máximo Kirchner não impede o julgamento nem uma eventual condenação, mas impede sua prisão imediata.
Com informações da Infobae e da agência EFE.




