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Economia

Comissão Europeia calcula em € 197 bilhões a compra de energia russa desde 2022

Dado vem do Comext, base do Eurostat, e cobre março de 2022 a julho de 2026; fica US$ 112 bilhões abaixo da conta divulgada por Moscou e US$ 41 bilhões abaixo da citada por Trump

Por Redação RecortNews
O edifício Berlaymont, sede da Comissão Europeia, em Bruxelas, em outubro de 2022.
O edifício Berlaymont, sede da Comissão Europeia, em Bruxelas, em outubro de 2022.Foto: Euro Pictures/Wikimedia Commons, CC BY 2.0

A União Europeia importou € 197 bilhões (US$ 209 bilhões) em energia da Rússia entre março de 2022 e julho de 2026, afirmou nesta terça-feira (13) a Comissão Europeia. O número vem do Comext, a base de dados de comércio externo gerida pelo Eurostat, e é a resposta de Bruxelas a duas contas bem maiores que circularam nos últimos dias.

A primeira é russa. Na noite de segunda-feira (12), o vice-primeiro-ministro Alexander Novak afirmou à emissora estatal Vesti que o bloco comprou € 302 bilhões em energia russa: "O valor para o período de 2022 até o presente é de US$ 320,7 bilhões", disse. São cerca de US$ 112 bilhões acima do cálculo da Comissão.

A segunda é americana. No mesmo dia, o presidente Donald Trump escreveu na Truth Social que a UE pagou US$ 250 bilhões (€ 223 bilhões) à Rússia — US$ 41 bilhões acima da conta europeia.

Por que as contas não fecham

Novak não informou quais produtos entraram no total, que método de avaliação usou, nem o período exato: falou em "2022 até o presente". A janela da Comissão começa em março de 2022, depois da invasão da Ucrânia, e vai até julho deste ano — recortes diferentes sobre o mesmo fluxo produzem somas diferentes antes de qualquer discordância de método.

Bruxelas não entrou no mérito das outras cifras. "Não estou em posição de confirmar os números de outras pessoas", disse a porta-voz Anna-Kaisa Itkonen.

O que o REPowerEU mudou

Segundo a Comissão, sem o REPowerEU — o plano de redução da dependência energética russa lançado em 2022 — o bloco teria gasto € 475 bilhões no período, ou € 278 bilhões a mais do que gastou. A fatia russa nas importações de energia da UE caiu de 42% a 45% em 2022 para 12% atualmente, e em 2023 os pagamentos à Rússia já representavam cerca de 6% de tudo o que o bloco gastou com combustíveis fósseis.

"Há uma clara tendência de queda da nossa dependência em relação à Rússia", afirmou Itkonen.

O prazo de 1º de janeiro de 2027

A compra não cessou. A UE pretende eliminar gás e gás natural liquefeito (GNL) russos até 1º de janeiro de 2027, e seguem valendo exceções para países sem litoral, como Hungria e Eslováquia, e para detentores de contratos de longo prazo. "Por ora, ainda é permitido importar alguma energia da Rússia", disse a porta-voz.

Novak, do lado russo, afirmou que as entregas à Europa somaram US$ 21,3 bilhões nos nove primeiros meses de 2026 e que o GNL embarcado pela rota do Ártico rendeu € 9,7 bilhões no mesmo intervalo.

Com informações da Comissão Europeia, da Euronews e da Novinite.