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Política

Congresso da Bolívia se reúne nesta sexta para resolver o comando da Procuradoria após a prisão de Roger Mariaca

O procurador-geral foi preso em 30 de setembro com outras 13 pessoas, dois dias depois de os Estados Unidos revogarem seu visto; o governo não reconhece quem assumiu interinamente

Por Redação RecortNews
O plenário da Câmara dos Deputados, no edifício da Asamblea Legislativa Plurinacional, em La Paz, em 2026.
O plenário da Câmara dos Deputados, no edifício da Asamblea Legislativa Plurinacional, em La Paz, em 2026.Foto: MagnoBlanco/Wikimedia Commons, CC BY 4.0

A Asamblea Legislativa Plurinacional (Congresso boliviano) se reúne nesta sexta-feira, 2 de outubro, às 9h30, para tratar da prisão do procurador-geral do Estado, Roger Mariaca, detido na quarta-feira, 30 de setembro, em Santa Cruz e acusado pelo governo de chefiar uma organização criminosa instalada dentro do próprio Ministério Público.

A sessão foi antecipada em três dias. O calendário original, fixado pelo vice-presidente Edmand Lara, previa o dia 5 de outubro; o presidente do Senado, Diego Ávila, transferiu-a para sexta alegando urgência, enquanto Lara participa de reuniões parlamentares na Espanha. Na pauta está o conhecimento e a apreciação dos relatórios oficiais sobre a prisão e seu enquadramento constitucional.

O ponto não é protocolar. A Asamblea é o órgão que elege o procurador-geral do Estado e, por isso, é também o único que pode decidir o que acontece com o cargo.

Catorze presos e uma ambulância com 300 mil dólares

Mariaca foi preso junto com outras 13 pessoas. Entre elas há quatro procuradores — incluindo Alberto Zeballos, da jurisdição de Santa Cruz — e seis funcionários do Ministério Público. Outras quatro foram encontradas dentro de uma ambulância com cerca de 300 mil dólares em moedas diversas.

As acusações são organização criminosa, lavagem de dinheiro e tráfico ilícito de substâncias controladas.

O ministro de Governo, Marco Antonio Oviedo, afirmou que "se ha desmontado una organización criminal enquistada en la justicia" ("desmontou-se uma organização criminosa entranhada na Justiça") e descreveu a instituição que Mariaca dirigia como uma estrutura destinada a estimular e proteger o narcoterrorismo. A Procuradoria, na leitura dele, não teria falhado em combater o narcotráfico: teria acompanhado.

O visto revogado, dois dias antes

A prisão veio 48 horas depois de o Departamento de Estado dos Estados Unidos revogar o visto de Mariaca, na segunda-feira, 28 de setembro, alegando "corrupção significativa" e sustentando que ele havia solicitado e aceito propinas para facilitar o narcotráfico.

A mesma leva de revogações alcançou juízes, servidores e empresários da Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. Segundo o Infobae, o secretário de Estado, Marco Rubio, apoiou publicamente as medidas do governo de Rodrigo Paz contra o crime organizado.

Quem é Mariaca

Roger Rider Mariaca Montenegro, nascido em Santa Cruz em 1987, é advogado pela Universidad Gabriel René Moreno, com mestrado em direito penal e processual, e foi professor universitário antes de dirigir a Procuradoria departamental de Santa Cruz entre 2020 e 2024.

Em outubro de 2024, a Asamblea então dominada pelo MAS o elegeu procurador-geral com mais de dois terços dos votos e para um mandato de seis anos, apesar das sete objeções apresentadas durante a pré-seleção. Ele tinha 36 anos ao tomar posse.

Seu nome aparece associado ao caso do traficante uruguaio Sebastián Marset. Em 2023, quando Mariaca era procurador departamental, uma operação em Santa Cruz não conseguiu capturá-lo. Marset foi preso em março de 2026 pela polícia, sem participação da Procuradoria, e extraditado aos Estados Unidos. Depois circulou um vídeo em que o traficante se refere a Mariaca como seu contato; a autenticidade não foi verificada.

Dois procuradores, um cargo

Após a prisão, o procurador superior Luis Montaño Morales assumiu a chefia do Ministério Público interinamente. O governo não o reconhece.

O porta-voz presidencial, José Luis Gálvez, sustentou que Montaño "de manera ilegal e ilegítima, está haciendo usurpación de funciones" ("de maneira ilegal e ilegítima, está usurpando funções") e antecipou que ele poderia ser preso. O Executivo insiste em que a sucessão cabe ao Legislativo, não a uma decisão interna da própria Procuradoria.

Daí a sessão desta sexta importar mais do que sugere sua pauta: enquanto não houver definição, a Bolívia tem duas pessoas reivindicando a condução do Ministério Público e uma única cadeira.

Com informações de La Razón, Opinión, Unitel, Infobae e da Câmara dos Deputados da Bolívia.