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FIFA vai propor fundo de US$ 6,35 bilhões e US$ 25 milhões por federação, cinco meses antes da eleição de Infantino

Carta enviada em 28 de setembro às seis confederações mais que dobra o repasse previsto por associação, de US$ 10 milhões para US$ 25 milhões; a Uefa prepara queixa-crime contra o dirigente na Suíça

Por Redação RecortNews
A Casa da FIFA, sede da entidade em Zurique, na Suíça, em foto de 2016.
A Casa da FIFA, sede da entidade em Zurique, na Suíça, em foto de 2016.Foto: albinfo/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A FIFA vai propor um pacote de US$ 6,35 bilhões para o desenvolvimento do futebol no ciclo de quatro anos que começa em 2027. A proposta foi enviada em 28 de setembro pelo presidente da entidade, Gianni Infantino, aos dirigentes das seis confederações continentais, e foi revelada nesta quarta-feira, 14, pela Associated Press, que ouviu fontes a par das conversas. A FIFA ainda não a anunciou publicamente.

O número que interessa a cada uma das 211 associações filiadas é outro: US$ 25 milhões por federação nacional ao longo dos quatro anos. O plano original previa US$ 10 milhões — ou seja, o repasse individual mais que dobra. Cada uma das seis confederações receberia US$ 99 milhões.

De onde sai o dinheiro

A FIFA pretende distribuir mais de US$ 3,5 bilhões a partir de reservas engordadas pela Copa do Mundo de 48 seleções, disputada neste ano nos Estados Unidos, no Canadá e no México. A entidade estima receita de cerca de US$ 15 bilhões no ciclo 2022-2026, bem acima do que projetava no início do período.

"O sucesso financeiro da FIFA tem de servir ao futebol e às 211 associações-membro da FIFA", escreveu Infantino na carta, segundo a AP. Ele disse estar confiante numa solução sustentável, com apoio das federações.

O calendário é a parte política

A proposta deve ser fechada pelo Conselho da FIFA em dezembro e submetida ao Congresso de março. E o Congresso de março é também o dia da eleição presidencial: 18 de março, em Rabat, no Marrocos. Quem quiser enfrentar Infantino tem até 18 de novembro para formalizar a candidatura.

Infantino preside a entidade desde 2016 e busca a reeleição. Um pacote que dobra o repasse direto chega, portanto, aos eleitores cinco meses antes da votação — e três semanas antes do prazo de inscrição de adversários.

O cerco da Uefa

A proposta surge num momento de pressão sobre o dirigente. Em agosto, a Uefa anunciou que preparava uma queixa-crime contra Infantino na Suíça por suspeita de má gestão financeira ligada a um acordo de venda de direitos comerciais da Copa do Mundo; a entidade europeia também pediu autorização a um tribunal dos Estados Unidos para obter provas. Um plano privado de investimento no Mundial foi abandonado poucos dias depois de ser revelado, em julho.

A aritmética dá o peso da disputa: as 55 federações da Uefa representam mais de um quarto dos 211 votos do Congresso. Em setembro, Infantino disse estar aberto a uma avaliação independente da governança da FIFA e a eventuais reformas.

Com informações da Associated Press e da Euronews.