Pular para o conteúdo
RecortNews
Cultura

Flup homenageia Ana Maria Gonçalves e leva Kimberlé Crenshaw à Praça Tiradentes até domingo

A 16ª Festa Literária das Periferias tem o tema "As filhas das filhas das filhas", cerca de 40 autores e entrada gratuita no Teatro Carlos Gomes e na praça, no centro do Rio

Por Redação RecortNews
A escritora Ana Maria Gonçalves, homenageada da 16ª Flup, em Brasília, em 2014.
A escritora Ana Maria Gonçalves, homenageada da 16ª Flup, em Brasília, em 2014.Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Wikimedia Commons, CC BY 3.0 BR

A Festa Literária das Periferias (Flup) chega ao seu fim de semana final com a Praça Tiradentes e o Teatro Municipal Carlos Gomes, no centro do Rio de Janeiro, transformados em sala de leitura pública. A 16ª edição começou na quarta-feira (23) e vai até domingo (27), com entrada gratuita em todos os espaços.

O tema escolhido é "As filhas das filhas das filhas" — uma construção que empilha três gerações numa frase e põe no centro da programação as trajetórias de mulheres negras. "Lembra a grande revolução em curso no Brasil, resultado das ações afirmativas", disse Julio Ludemir, diretor da festa.

A homenageada

A edição é dedicada a Ana Maria Gonçalves, autora de Um defeito de cor e a primeira mulher negra eleita para a Academia Brasileira de Letras, em julho de 2025. Ludemir afirmou que ela escreveu "o mais importante livro da história da literatura brasileira" — avaliação que a própria escritora costuma receber com reservas, e que a programação testa ao colocá-la menos no pedestal e mais na cadeira de entrevistadora.

É isso que acontece neste sábado (26): Gonçalves e a médica e ativista Jurema Werneck entrevistam a jurista norte-americana Kimberlé Crenshaw, responsável por formular, no fim dos anos 1980, o conceito de interseccionalidade — a ideia de que raça, gênero e classe não se somam, se cruzam. No mesmo dia, o jornalista Chico Regueira conversa com o escritor e sambista Nei Lopes.

Quem mais passa pelo palco

A programação de domingo (27) reúne Linn da Quebrada, Vita Pereira, Antonio Pitanga, Dom Filó e a historiadora Helena Theodoro. Ao longo da semana, passaram ou passam pela festa Conceição Evaristo, Djamila Ribeiro, Gilberto Gil, Elisa Lucinda, a cineasta Adélia Sampaio e as intelectuais canadenses Dionne Brand e Christina Sharpe — cerca de 40 autores e pesquisadores brasileiros e estrangeiros no total. A curadoria internacional é de Mame-Fatou Niang.

A Flup nasceu em 2012 em comunidades do Rio e foi, ao longo dos anos, migrando para o centro da cidade sem trocar o repertório: a festa continua tratando a periferia como lugar de produção literária, não como assunto de quem escreve de fora. A escolha da Praça Tiradentes, um endereço de teatros populares desde o século XIX, tem alguma ironia histórica embutida.

A realização é da Suave e da Associação Na Nave, com apoio do Ministério da Cultura e da Prefeitura do Rio, por meio da Lei do ISS, além de patrocínio da Shell e de recursos da Fundação Ford, da Hawthornden Foundation e do British Council.

Com informações da Agência Brasil e da Afro TV.