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Economia

FMI eleva a projeção de crescimento global de 2026 para 3,1%, com petróleo a US$ 96 e dívida em alta

A revisão de 0,1 ponto vem do investimento em inteligência artificial; 32 países concentram hoje 95% do crescimento mundial, contra 54 em abril

Por Redação RecortNews
A sede do Fundo Monetário Internacional, em Washington; as reuniões anuais de 2026 acontecem em Bangcoc.
A sede do Fundo Monetário Internacional, em Washington; as reuniões anuais de 2026 acontecem em Bangcoc.Foto: Fundo Monetário Internacional/Wikimedia Commons, domínio público

O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou para 3,1% sua projeção de crescimento da economia mundial em 2026, 0,1 ponto percentual acima do que estimava em julho. Para 2027, a previsão é de 3,4%, inalterada em relação a julho e 0,2 ponto acima do que o Fundo projetava em abril. Os dois números ficam abaixo dos 3,5% que a economia global cresceu em 2025.

Os dados estão no relatório Perspectivas Econômicas Mundiais (World Economic Outlook), apresentado nas reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, realizadas este ano em Bangcoc, na Tailândia.

O que segura o crescimento: inteligência artificial

A revisão para cima não vem de uma melhora geral, e sim de um motor concentrado. O investimento em inteligência artificial compensa parte do estrago causado pelos preços de energia — mas o benefício é muito desigual: Estados Unidos e China respondem por mais de três quartos da demanda líquida mundial por chips e equipamentos ligados a IA.

O próprio Fundo mede essa concentração com um número desconfortável: 32 países respondem hoje por 95% do crescimento global, contra 54 países em abril. Quanto menor o número de economias que puxam o resultado, mais frágil é o resultado — e a projeção já supõe que a demanda por IA desacelere.

"O quadro é muito desigual", resumiu Silvana Tenreyro, economista-chefe do FMI, em entrevista à imprensa na apresentação do relatório.

O choque do petróleo

A outra metade da história é o preço da energia. O Fundo trabalha com petróleo a uma média de US$ 96 o barril em 2026 e US$ 87 em 2027 — alta de cerca de 41% neste ano. A inflação ao consumidor no mundo deve ficar em 4,7% em 2026, acima dos 4,1% de 2025, e recuar a 4,1% em 2027.

A projeção carrega uma premissa de guerra: o FMI assume que o Estreito de Ormuz volte a receber embarques de petróleo e gás em março de 2027, com retorno amplo aos fluxos de navegação do pré-guerra até outubro daquele ano. É a premissa que mais pesa no cenário — e a primeira a ruir se o conflito no Oriente Médio se prolongar.

Quem cresce e quem encolhe

  • Economias avançadas: 2,1% em 2026 e 1,9% em 2027
  • Economias emergentes e em desenvolvimento: 3,7% em 2026, contra 4,5% em 2025, com recuperação a 4,4% em 2027
  • Estados Unidos: 2,3% em 2026 e em 2027
  • Zona do euro: 1,1% em 2026 (revisão de 0,9%, puxada por IA e gasto em defesa) e 1,2% em 2027
  • China: 4,5% em 2026 e 4,0% em 2027, ambos 0,1 ponto abaixo de julho
  • Índia: cerca de 7% nos dois anos, revisão de 0,6 ponto para 2026 — a maior economia que cresce mais rápido
  • Reino Unido: 1,3% em 2026, 0,3 ponto acima de julho
  • Arábia Saudita: retração de 3,3% em 2026, contra expansão de 1,7% projetada em julho
  • Oriente Médio e Ásia Central: contração em 2026 e crescimento de 6,3% em 2027

A dívida como risco

A diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, voltou a apontar o endividamento público — sobretudo nas economias avançadas — como ameaça crescente à estabilidade financeira, num ambiente de custo de captação alto. O Fundo pede aos governos que reconstruam suas folgas fiscais e apresentem planos críveis de médio prazo para a dívida.

Num cenário adverso, com o barril a US$ 130 até o primeiro trimestre de 2027, o crescimento global cairia 0,2 ponto em 2026 e 0,5 ponto em 2027, e a inflação de 2027 subiria a 5,2%.

Georgieva também tratou do efeito da IA sobre o trabalho: estimou que cerca de 40% dos postos serão ampliados, rebaixados ou eliminados pela tecnologia, e descreveu a transformação como "um tsunami em movimento lento, mas um tsunami, ainda assim".

Com informações da Associated Press, da Reuters e da agência Report.