Pular para o conteúdo
RecortNews
Economia

Gasolina subiu 9,1% em setembro e levou a inflação americana a 3,7%, reacendendo a aposta em alta de juros em outubro

O núcleo da inflação avançou 0,3% no mês e 2,6% em doze meses, acima dos 0,2% e 2,5% que o mercado esperava. A chance de alta na reunião de 27 e 28 de outubro saltou de 22% para cerca de 40% nos contratos futuros.

Por Redação RecortNews
Painel de preços de um posto de combustível em Eugene, no Oregon, fotografado em 26 de setembro de 2026.
Painel de preços de um posto de combustível em Eugene, no Oregon, fotografado em 26 de setembro de 2026.Foto: Rick Obst/Wikimedia Commons, CC BY 4.0

Os preços ao consumidor nos Estados Unidos subiram 0,6% em setembro e 3,7% nos doze meses anteriores, informou o Bureau of Labor Statistics (órgão federal americano de estatísticas do trabalho) na quarta-feira, 14 de outubro. É uma aceleração em relação à taxa anual de 3,4% registrada em agosto, e chega duas semanas antes de o Federal Reserve (o banco central americano) decidir o que fazer com os juros.

Uma linha do relatório explica a maior parte do mês: o índice da gasolina subiu 9,1% com ajuste sazonal, e o órgão de estatísticas diz que ele respondeu "por mais da metade do aumento mensal do índice geral". Em doze meses, a gasolina acumula alta de 34,2%.

A energia puxou o índice geral

O índice mais amplo de energia subiu 5,2% no mês e 20,4% no ano — de longe a categoria que mais se moveu no relatório. Nenhuma outra chegou perto.

A alimentação ficou estável em setembro, com 0,0% no mês e 2,5% em doze meses. Dentro dela, o supermercado até recuou um pouco: alimentos consumidos em casa caíram 0,1% no mês e subiram 1,8% no ano, enquanto refeições fora de casa avançaram 0,2% no mês e 3,5% no ano. A habitação, o componente de maior peso no índice, subiu 0,4% em setembro e 3,2% no ano.

O índice geral, sem ajuste sazonal, ficou em 336,940 pontos, numa base em que a média de 1982 a 1984 equivale a 100.

O núcleo foi a surpresa

A inflação cheia é o número que se lê em voz alta, mas o que mexe com as apostas de juros é o que exclui alimentos e energia — justamente as duas categorias que oscilam mais forte e se revertem mais rápido. Essa medida subiu 0,3% em setembro e 2,6% em doze meses, contra 2,4% em agosto.

Os dois números vieram acima do esperado. Segundo a Fox Business, economistas consultados pela LSEG projetavam 0,2% no mês e 2,5% no ano, e esperavam uma taxa cheia anual de 3,6%, não de 3,7%.

A distinção importa porque um salto da gasolina pode se desfazer sozinho. Um núcleo que continua subindo não se resolve esperando — e é essa a parte do relatório que o Fed não pode atribuir ao mercado de petróleo.

A inflação está "se mostrando mais persistente do que muitos esperavam, sobretudo nos serviços", disse à Fox Business Adam Schickling, economista sênior da Vanguard. Tim Urbanowicz, da Goldman Sachs Asset Management, afirmou ao mesmo veículo que "o dado de hoje põe em dúvida a pausa tática do Fed que o mercado já tinha precificado para outubro".

A reunião de 27 e 28 de outubro

A faixa-alvo da taxa de juros americana está hoje entre 3,75% e 4%. O Federal Open Market Committee (o comitê de política monetária do Fed), presidido por Kevin Warsh, volta a se reunir em 27 e 28 de outubro, e até a divulgação de quarta-feira o mercado tratava essa reunião como pausa quase certa.

Isso mudou em menos de uma hora. A Reuters informou que os contratos futuros embutiam cerca de 22% de chance de alta em outubro antes do relatório e cerca de 40% depois — ainda abaixo de uma moeda ao ar, mas perto do dobro do que era no começo do dia.

O comitê se reuniu pela última vez em 15 e 16 de setembro e publicou a ata daquele encontro em 7 de outubro.

O próximo dado também não resolverá a dúvida logo: o Bureau of Labor Statistics marcou o índice de preços de outubro para terça-feira, 10 de novembro, às 8h30 no horário do leste americano — treze dias depois da decisão do Fed, e uma semana depois das eleições legislativas de meio de mandato.

Com informações do Bureau of Labor Statistics, do Federal Reserve, da Reuters e da Fox Business.