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Política

Grynspan amplia a vantagem na quarta sondagem do Conselho de Segurança e fica mais perto de comandar a ONU

A costa-riquenha reuniu 10 estímulos, 3 desestímulos e 2 abstenções na votação informal de 29 de setembro de 2026, e melhorou nas duas colunas em relação à sondagem anterior

Por Redação RecortNews
Rebeca Grynspan, secretária-geral da UNCTAD, em 2024.
Rebeca Grynspan, secretária-geral da UNCTAD, em 2024.Foto: UN Trade and Development (UNCTAD)/Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0

A costa-riquenha Rebeca Grynspan saiu da quarta sondagem informal do Conselho de Segurança da ONU como a candidata melhor posicionada para suceder António Guterres: reuniu 10 estímulos, 3 desestímulos e 2 abstenções na votação realizada na terça-feira, 29 de setembro de 2026, na sala de consultas do Conselho.

O resultado a deixa melhor do que há onze dias. Na terceira sondagem, de 18 de setembro, ela havia somado um estímulo menos e dois desestímulos mais — e é a coluna dos desestímulos que decide uma corrida como essa, porque um voto negativo de qualquer um dos cinco membros permanentes acaba funcionando como veto.

Os números e suas versões

As sondagens são informais e seus resultados não são divulgados oficialmente: chegam à imprensa por vazamento, e por isso os números dos candidatos que não lideram a lista variam conforme quem os conta. O site PassBlue, que acompanha o processo de dentro do prédio, colocou em segundo lugar a guianense Carolyn Rodrigues Birkett e o argentino Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), com 8 estímulos cada. A agência EFE atribuiu a Grossi 10 estímulos, mas também 7 desestímulos — mais do que o dobro dos que Grynspan recebeu.

Atrás ficaram o ugandense Olara Otunnu e o senegalês Macky Sall, com 5 estímulos cada, e as duas candidatas equatorianas: María Fernanda Espinosa, ex-presidente da Assembleia Geral, e Ivonne A-Baki, apresentada com o apoio de Tonga, ambas com a maioria do Conselho contra.

As cédulas não dizem de quem vem cada voto. É exatamente essa a limitação que o Conselho terá de resolver na etapa seguinte.

Sete candidatos, cinco da região

A lista ficou em sete nomes depois que a chilena Michelle Bachelet anunciou a desistência, após uma terceira sondagem em que recebeu 1 estímulo, 11 desestímulos e 3 abstenções. Ao sair, a ex-presidente sustentou que o momento continua propício para defender o multilateralismo e os direitos humanos.

Sem Bachelet, cinco dos sete candidatos são da América Latina e do Caribe: Costa Rica, Argentina, Guiana e Equador, com duas candidatas. É o reflexo do argumento que a região vem fazendo desde o ano passado — que nunca ocupou a secretaria-geral desde o peruano Javier Pérez de Cuéllar, que deixou o cargo em 1991 — e também da razão pela qual essa vantagem pode se diluir: o voto regional se reparte.

O que falta

O passo seguinte é a cédula colorida: uma sondagem em que os cinco membros permanentes — China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia — votam em papéis de cor diferente da dos dez membros eleitos. É o mecanismo que revela quem está bloqueando quem, e nos ciclos anteriores foi aplicado no início de outubro. O Conselho ainda não decidiu quando dará esse passo; segundo o PassBlue, os permanentes preferem antecipá-lo e os eleitos têm interesse em adiá-lo, porque é a margem de negociação que lhes resta.

Para ser recomendado à Assembleia Geral, um candidato precisa de 9 dos 15 votos do Conselho e de nenhum veto. O mandato de Guterres termina em 31 de dezembro de 2026, e quem o suceder assume em 1º de janeiro de 2027, o que deixa ao Conselho poucas semanas de margem. A próxima presidência rotativa do órgão, em outubro, é da Grécia.

Com informações de PassBlue, Security Council Report, agência EFE e The Tico Times.