A casa de Mafalda, a praça, o armazém do Manolito e o quarto da Susanita deixam de ser quadrinhos em 1º de outubro de 2026: nesse dia abre no Centro Cultural Recoleta (centro cultural público da cidade de Buenos Aires) a mostra Mafalda Inmersiva, com 1.300 metros quadrados construídos em torno da obra que Quino publicou entre 1964 e 1973.
O percurso dura cerca de uma hora e recebe 36 pessoas por grupo, com entradas a cada dez minutos. Os ingressos são vendidos pela Ticketek e começam em 24.000 ARS por pessoa, com preços que variam conforme a data, o horário e a demanda, e um mínimo de quatro ingressos para grupos familiares.
Treze salas, 1.500 segundos de animação
A mostra se organiza em treze salas — o Infobae contabilizou quatorze espaços interativos — que combinam projeções de 360 graus, video mapping, som envolvente, realidade virtual multiusuário, telas interativas e esculturas dos personagens em escala real, modeladas em massa de modelar por Juan Riera. A equipe produziu 1.500 segundos de animação para o conjunto.
O diretor e produtor geral é Damián Kirzner, e a pesquisa teve como consultora a jornalista Judith Gociol. Para montar o roteiro, a equipe releu as 1.920 tiras da história em quadrinhos e escolheu as que tratam de papéis de gênero e conflitos sociais. Trabalharam no projeto artistas, animadores, designers e técnicos da Argentina, da Espanha e da Inglaterra.
Há uma decisão de produção que vale destacar, porque vai contra a lógica habitual desse tipo de mostra: os personagens não têm voz. Os diálogos continuam aparecendo em balões de texto, como no jornal. O argumento da equipe é que o que fazia a tira funcionar era justamente o trabalho do leitor, que completava a pausa, imaginava o tom ou esticava um olhar.
A família de Quino, segundo a produção, "acompanha e autoriza cada instância vinculada à obra".
Um projeto de exportação de dez anos
A produção, de financiamento privado, trata a mostra como um projeto de exportação de dez anos: quando a etapa argentina terminar, ela deve sair em turnê pela Europa e pela América Latina.
Com informações de Infobae e Escribiendo Cine.




