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Economia

Ordem de Trump cria tarifa de 500% sobre produtos russos e a suspende no mesmo documento

A seção 2 da ordem de 16 de outubro impõe 500% sobre importações russas e 100% sobre os cinco maiores compradores de petróleo e gás da Rússia. A seção 4 suspende tudo, dois dias antes de começar a valer.

Por Redação RecortNews
Donald Trump em seu retrato oficial da Casa Branca, fotografado em junho de 2026.
Donald Trump em seu retrato oficial da Casa Branca, fotografado em junho de 2026.Foto: Daniel Torok/Wikimedia Commons, Public domain

O presidente Donald Trump assinou em 16 de outubro de 2026 uma ordem executiva que põe em vigor o Lindsey O. Graham Sanctioning Russia and Iran Act of 2026 (Lei Graham de Sanções à Rússia e ao Irã) e, no mesmo documento, suspende quase tudo o que a lei foi escrita para fazer.

A lei foi sancionada em 18 de setembro de 2026. Ela entregou à Casa Branca um conjunto de tarifas e sanções voltadas ao comércio de energia da Rússia, e suas medidas operacionais começariam a valer no domingo, 18 de outubro.

O que a ordem estabelece

A seção 2 da ordem lista três aumentos de tarifas:

  • 500% ad valorem sobre produtos da Federação Russa, com as exceções previstas na seção 114 da lei;
  • 100% sobre produtos dos cinco maiores importadores de petróleo bruto e gás natural russos, caso o país faça "novas compras com conhecimento" desse petróleo ou gás a partir de 18 de outubro de 2026;
  • 100% sobre produtos dos cinco principais facilitadores de burla às sanções ao petróleo russo, conforme a definição da seção 113(i) da lei.

A ordem afirma que esses aumentos se somam a tarifas já em vigor, inclusive as do Título VII do Tariff Act de 1930, das seções 122, 201 e 301 do Trade Act e da seção 232 do Trade Expansion Act.

E o que ela retira

A seção 4, então, dispensa tudo isso. Seu primeiro parágrafo dispensa as tarifas impostas "sob as seções 112 e 113 da Lei ou esta ordem" — uma redação que alcança os aumentos que a seção 2 acabara de descrever. A mesma seção dispensa as sanções e restrições da seção 102(d) e as das seções 102(a), 102(e), 103 a 111 e 117 aplicadas a pessoas estrangeiras.

As dispensas não têm prazo. Valem até que o presidente ou o secretário de Estado determine que uma nova ação é apropriada, e a ordem não fixa data para restabelecer as medidas.

Sanções que já existiam sob a emergência nacional relativa à Rússia, prorrogada em 24 de março de 2026 e publicada em 91 Fed. Reg. 15515, permanecem intactas. Entre os dispositivos suspensos estavam medidas dirigidas à frota paralela de navios-tanque russos, segundo o Kyiv Post.

O caminho jurídico

A lei permite ao presidente dispensar seus dispositivos após certificar ao Congresso que isso atende ao interesse nacional — é a seção 115. A seção 1 da ordem diz apenas que a dispensa é "do interesse nacional dos Estados Unidos" e que a certificação foi enviada ao Congresso. Não apresenta outra justificativa.

A engrenagem continua girando com as tarifas desligadas. O United States Trade Representative (representante comercial dos Estados Unidos) deve monitorar as compras de petróleo e gás russos e os atos de burla às sanções, informar o presidente e identificar os cinco principais facilitadores. A seção 5 delega as competências da lei aos secretários de Estado, do Tesouro e de Energia e ao representante comercial.

É esse o desenho prático da ordem: ela publica uma tabela de tarifas e a suspende com a mesma assinatura, deixando as alíquotas no papel como ameaça permanente, e não como cobrança que alguém vá pagar em 18 de outubro.

Reação

No Congresso, o senador republicano Thom Tillis questionou a condução, pelo governo, de um acordo sobre diesel com Moscou fechado cerca de uma semana antes da ordem. O deputado Don Beyer acusou o presidente de ceder a Vladimir Putin, e a senadora Elizabeth Warren disse que o governo estava minando os esforços do Congresso para pressionar a Rússia. Um grupo bipartidário de senadores já havia alertado que a receita das exportações de energia russa financia a guerra na Ucrânia.

Na cúpula da União Europeia em Bruxelas, na sexta-feira, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, rejeitou qualquer alívio da pressão sobre Moscou. "Não é hora de aliviar as sanções à Rússia", disse. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky chamou o acordo do diesel de "decisão fraca".

Com informações da Casa Branca e do Kyiv Post.