A Paramount Skydance fechou acordo em 21 de setembro de 2026 com os 12 procuradores-gerais estaduais que tinham recorrido à Justiça para impedir a compra da Warner Bros. Discovery, liberando o último obstáculo regulatório de um dos maiores negócios já tentados no setor de mídia.
Os estados processaram a empresa em julho de 2026 com base no Clayton Antitrust Act (a lei antitruste americana). O que encerrou o caso não foi a venda de ativos, mas uma lista de promessas sobre como a empresa resultante vai se comportar: quantos filmes lança, quanto gasta nos Estados Unidos, quais terrenos mantém e quem fiscaliza suas duas redações.
O que os estados arrancaram
Os compromissos valem até o fim do quinto ano-calendário após o fechamento do negócio, o que deve significar 31 de dezembro de 2031.
- Os terrenos ficam. A Paramount tem de manter produção ativa no número 5555 da Melrose Avenue, em Los Angeles, e no 4000 da Warner Boulevard, em Burbank, e não pode vender nenhuma das duas propriedades por pelo menos cinco anos.
- Gasto com produção. No mínimo US$ 300 milhões adicionais por ano em produção de filmes nos Estados Unidos — US$ 1,5 bilhão nos cinco anos.
- Número de filmes. Ao menos 30 lançamentos em cinema por ano nos dois primeiros anos, sendo 20 em circuito amplo, subindo a 32 filmes por ano, com 21 em circuito amplo, do terceiro ao quinto ano. No mínimo quatro filmes independentes por ano, mais um fundo anual de US$ 5 milhões para comprar títulos independentes, US$ 25 milhões no total.
- Janela de cinema. Um filme de circuito amplo precisa cumprir 45 dias em cartaz antes de ir para um serviço por assinatura como o Paramount+, conforme a leitura dos termos feita pela Variety.
- TV por assinatura. Paramount e Warner Bros. Discovery têm de seguir negociando seus pacotes de canais separadamente, para que a fusão não transforme dois interlocutores em um só.
Descumprir as metas de filmes tem preço. Cada filme a menos gera uma contribuição de US$ 30 milhões a fundos sindicais de saúde e aposentadoria, e falhar nas obrigações de cinema independente obrigaria a Paramount a vender a Miramax.
Um conselho entre o dono e as redações
O acordo também cria um News Editorial Independence Board (conselho de independência editorial) para supervisionar a operação jornalística da CNN e da CBS News, com um monitor interno de conformidade e um fiscal independente.
O dispositivo responde à objeção que menos tinha a ver com contas de concorrência: a de que um único dono passaria a controlar o jornalismo das duas redes. É uma resposta estrutural a uma pergunta sobre controle editorial, algo incomum em acordo de fusão.
O que cada lado disse
Rob Bonta, procurador-geral da Califórnia, tomou o cuidado de separar o acordo de um aval ao negócio, dizendo que ele "não é um voto de apoio a esta fusão", ao mesmo tempo que reconheceu que a empresa negociou de boa-fé.
David Ellison, que comanda a Paramount Skydance e sai da operação como uma das figuras mais poderosas da mídia americana, agradeceu às autoridades estaduais "por negociarem de boa-fé para encontrar um caminho" e destacou os compromissos de lançamento e de produção doméstica.
O que falta
A compra foi anunciada em 27 de fevereiro de 2026, avaliada em US$ 110,9 bilhões, ou US$ 31 por ação em dinheiro, depois que a oferta da Paramount superou a proposta concorrente da Netflix. Reguladores de fora dos Estados Unidos — entre eles Reino Unido, União Europeia, Japão, Canadá, China, Brasil, Índia, México e Austrália — já tinham aprovado o negócio até agosto de 2026.
Com os estados acomodados, o prazo de fechamento segue em 1º de junho de 2027. O julgamento antitruste que estava marcado para se estender até abril de 2027 é o que o acordo torna desnecessário.
Com informações da Axios e da Variety.




