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Prévia da inflação desacelera a 0,32% em outubro, mas o acumulado de 12 meses sobe a 4,62% e passa do teto da meta

A alimentação no domicílio subiu 1,01%, com o tomate 24,54% mais caro, enquanto a energia elétrica caiu 0,89% com a volta da bandeira verde

Por Redação RecortNews
A sede do Centro de Documentação e Disseminação de Informações do IBGE, no Rio de Janeiro, em 2007. O instituto calcula e divulga o IPCA-15.
A sede do Centro de Documentação e Disseminação de Informações do IBGE, no Rio de Janeiro, em 2007. O instituto calcula e divulga o IPCA-15.Foto: Spoladore/Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0

O IPCA-15, prévia da inflação oficial, subiu 0,32% em outubro. É menos da metade da variação de setembro, de 0,70%, e ficou abaixo do que o mercado esperava: a mediana da pesquisa da Reuters apontava 0,43%, e a da Bloomberg, 0,45%. O número foi divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira (23).

A desaceleração do mês, no entanto, não chegou ao acumulado. Em doze meses o índice passou de 4,47% para 4,62% — acima do teto da meta de inflação, que é de 3% ao ano com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, 4,5%. No ano, a prévia soma 4,15%.

A aparente contradição tem explicação aritmética: outubro de 2025 havia registrado 0,18%. Ao sair da conta um mês fraco e entrar um mês mais forte, o acumulado de doze meses sobe mesmo quando a leitura corrente desacelera.

Alimentos puxam para cima, energia segura para baixo

Oito dos nove grupos pesquisados tiveram alta. A maior pressão veio de alimentação e bebidas, com 0,88% e impacto de 0,19 ponto percentual — praticamente dois terços do índice do mês.

Dentro do grupo, a alimentação no domicílio subiu 1,01%, contra 0,38% em setembro. As maiores altas foram do tomate (24,54%), da cebola (13,63%), da batata-inglesa (10,96%) e do arroz (5,80%). No sentido oposto, caíram a cenoura (-10,67%), as frutas (-1,37%) e o café moído (-1,16%).

Depois dos alimentos vieram despesas pessoais (0,55%), vestuário (0,53%), comunicação (0,43%), artigos de residência (0,28%), saúde e cuidados pessoais (0,15%), educação (0,09%) e transportes (0,05%).

O único grupo em queda foi habitação, com -0,10%, depois de ter subido 2,07% em setembro. A virada se explica pela energia elétrica residencial, que recuou 0,89% com a passagem da bandeira tarifária amarela para a verde — em setembro, esse mesmo item havia subido 7,42%.

Em transportes, o resultado quase nulo é a soma de forças opostas: os combustíveis subiram 1,20%, com óleo diesel (3,70%), etanol (2,73%) e gasolina (0,92%), enquanto as passagens aéreas ficaram 9,24% mais baratas.

Onze capitais, dez em alta

Dez das onze áreas pesquisadas registraram alta. A maior variação foi em Belém, com 0,76%, puxada pelo tomate (17,55%) e pela energia elétrica (3,71%) após reajuste tarifário. A menor foi em Curitiba, única cidade em deflação, com -0,27%: ali as passagens aéreas caíram 11,58% e a taxa de água e esgoto, 8,05%, depois de um desconto de 25% na tarifa mínima que passou a valer em 1º de outubro.

O que o número ainda não mostra

Para Roberto Luis Troster, coordenador do Centro de Estudos do Financiamento das Empresas Brasileiras da Fipe, uma leitura mensal mais baixa não basta para firmar uma tendência. "A desaceleração mensal é bem-vinda, mas ainda não demonstra uma trajetória consistente de queda da inflação", disse ele à Agência Brasil.

O IPCA-15 cobre um período de coleta que termina em meados do mês e serve de antecipação para o IPCA fechado, que é o índice usado na meta perseguida pelo Banco Central. A diferença entre a leitura corrente, de 0,32%, e o acumulado de 4,62% é justamente o que separa o alívio imediato no supermercado da conta que a autoridade monetária tem de fechar no fim do ano.

Com informações do IBGE, da Agência Brasil, do InfoMoney e do jornal O Tempo.