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Cultura

"Se eu fosse vivo… vivia", de André Novais Oliveira, leva o Troféu Candango no 59º Festival de Brasília

Longa ambientado no interior de Minas nos anos 1970 também venceu roteiro e fotografia; "Pequenas tragédias", de Daniel Nolasco, ficou com direção, montagem e trilha sonora.

Por Redação RecortNews
O Cine Brasília, projetado por Oscar Niemeyer, sede principal do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, fotografado em 2024.
O Cine Brasília, projetado por Oscar Niemeyer, sede principal do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, fotografado em 2024.Foto: Boaventuravinicius/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

O Troféu Candango de melhor longa-metragem da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro ficou com "Se eu fosse vivo… vivia", de André Novais Oliveira. O filme levou ainda os prêmios de roteiro e de fotografia, no encerramento da mostra competitiva, no dia 19 de setembro.

O longa acompanha o casal Gilberto e Jacira no interior de Minas Gerais dos anos 1970. Depois de cinco décadas de casamento, a internação de Jacira empurra Gilberto para uma sequência de acontecimentos fora do comum — o registro afetivo e de ritmo lento que marca a obra do diretor mineiro desde os primeiros curtas.

Os outros premiados

"Pequenas tragédias", de Daniel Nolasco, foi o filme mais premiado depois do vencedor, com direção, montagem e trilha sonora. Nas categorias de atuação, "Privadas das suas vidas" levou os dois prêmios femininos: Martha Nowill como atriz e Olivia Torres como atriz coadjuvante.

O júri popular escolheu "Tudo é tempo", de Marcos Guttmann, que também recebeu o Troféu Saruê, entregue pelo jornal Correio Braziliense.

O júri oficial concedeu menções honrosas à escritora Conceição Evaristo e ao ator Norberto Novais Oliveira, ambos no elenco do filme vencedor — a presença de Evaristo, uma das vozes mais conhecidas da literatura brasileira contemporânea, foi um dos pontos mais comentados da edição.

Uma edição de recorde de inscrições

O festival recebeu cerca de 2 mil filmes inscritos, marca inédita na sua história, e exibiu mais de 70 títulos entre as mostras competitivas e paralelas. O Cine Brasília, sala projetada por Oscar Niemeyer que dá ao evento boa parte da sua identidade, voltou a concentrar a programação.

O número de inscrições diz menos sobre a qualidade do que sobre o volume: o parque de produção brasileiro voltou a operar em escala depois dos anos de retração do fomento federal, e os festivais são o primeiro lugar onde esse acúmulo aparece. O gargalo seguinte é a distribuição — quantos desses 2 mil filmes chegam a uma sala comercial ou a uma plataforma.

"Se eu fosse vivo… vivia" teve sessão pública gratuita em Brasília na segunda-feira (21), depois do anúncio dos prêmios.

Com informações da Agência Brasil/EBC e do Correio Braziliense.