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Sete chanceleres estreiam em Istambul o formato R4+E3, com o estreito de Ormuz no topo da pauta

Turquia, Arábia Saudita, Paquistão e Egito sentam pela primeira vez com Reino Unido, França e Alemanha; agenda inclui ainda Iêmen, Palestina, mar Negro e o fim da guerra na Ucrânia

Por Redação RecortNews
O chanceler turco, Hakan Fidan (à esq.), em encontro com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyyed Abbas Araghchi, na chancelaria iraniana, em novembro de 2025.
O chanceler turco, Hakan Fidan (à esq.), em encontro com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyyed Abbas Araghchi, na chancelaria iraniana, em novembro de 2025.Foto: محمد برنو/Wikimedia Commons, CC BY 4.0

Os chanceleres de sete países se reúnem nesta sexta-feira (23) em Istambul, na Turquia, na primeira reunião de um formato diplomático novo: o R4+E3. De um lado, o chamado R4 — Turquia, Arábia Saudita, Paquistão e Egito. Do outro, o E3 — Reino Unido, França e Alemanha. O encontro parte de iniciativa de Ancara, e quem recebe é o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan.

No centro da pauta está o estreito de Ormuz, a passagem por onde escoa parte decisiva do petróleo do Golfo e que virou o ponto mais sensível da confrontação entre Irã e Estados Unidos.

Quem é quem nos dois grupos

O E3 é o mais antigo: nasceu há mais de duas décadas para coordenar a diplomacia europeia em torno do programa nuclear iraniano.

O R4 é deste ano. Ele junta o Egito aos três signatários do Acordo de Defesa de Meca, pacto de defesa mútua que Turquia, Arábia Saudita e Paquistão firmaram em agosto. Segundo a chancelaria paquistanesa, "esta será a primeira reunião dos sete países neste formato".

A lista de participantes divulgada pelo jornal paquistanês The Express Tribune traz, além de Fidan, o vice-primeiro-ministro e chanceler do Paquistão, Ishaq Dar; o saudita Faisal bin Farhan; o egípcio Badr Abdelatty; o britânico Ed Miliband; o francês Jean-Noël Barrot; e o alemão Johann Wadephul.

O que está na mesa

Os temas anunciados são cinco: a questão palestina, a situação no Iêmen, o estreito de Ormuz, caminhos para encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia e a segurança no mar Negro.

O ministério das Relações Exteriores britânico afirmou que o tráfego pelo estreito está muito abaixo dos níveis anteriores à guerra e que a passagem "segue sob ameaça". O gabinete de Miliband disse que as conversas se concentrariam em "o estreito de Ormuz e a situação na Arábia Saudita". A expectativa é de que o britânico defenda uma saída diplomática que restabeleça os direitos de navegação e alerte para a difusão, por outros atores da região, das táticas usadas pelo Irã.

Fidan deve sustentar que "a segurança regional exige, antes de tudo, que os países da região assumam responsabilidade". Também deve cobrar pressão sobre Israel pela expansão dos assentamentos e pelo que chama de "terrorismo de colonos", apoiar a Arábia Saudita diante dos ataques houthis e pedir liberdade permanente de navegação tanto em Ormuz quanto em Bab el-Mandeb.

Dois estreitos e um mar

A escolha dos temas desenha um mapa de pontos de estrangulamento. Londres avisou nesta semana que vai enviar caças RAF Typhoon para ajudar a defender o espaço aéreo saudita, e o comunicado britânico adverte que os ataques à Arábia Saudita ameaçam também Bab el-Mandeb e o canal de Suez.

No mar Negro, os ataques armados a navios comerciais — em boa parte com drones — se multiplicaram nos últimos meses, e embarcações turcas têm sido alvo com frequência crescente, sobretudo perto da Romênia e da Bulgária. A Turquia apresentou no mês passado uma proposta a Rússia e Ucrânia para encerrar as investidas, sem efeito até agora. Na terça-feira, a Otan informou que vai reforçar a região com aviões, drones e radares adicionais.

Com informações de Al Jazeera, The Manila Times (Agence France-Presse) e The Express Tribune.