As organizações sociais ligadas ao ex-presidente Evo Morales adiaram para sexta-feira, 16 de outubro, a marcha até La Paz contra os decretos de ajuste econômico do presidente Rodrigo Paz — em especial contra o fim da subvenção ao diesel. A mobilização estava convocada para esta terça-feira, 13.
O anúncio foi feito pelo dirigente intercultural Aquilardo Caricari. "Prevê-se que seja nesta sexta-feira, 16 de outubro, para chegar na segunda-feira 19 da semana seguinte à sede do governo", disse. A coluna sairia de Patacamaya, no altiplano do departamento de La Paz, com três dias de caminhada à frente.
O adiamento se deve a reuniões ainda pendentes com as centrais sindicais da Coordinadora de las Seis Federaciones del Trópico de Cochabamba, o núcleo cocaleiro da liderança de Morales. Já os setores interculturais de Santa Cruz esperam a adesão de mais entidades antes de ir para a estrada.
O decreto que disparou o preço
Em 19 de setembro, Paz eliminou por completo a subvenção ao diesel, com preço inicial de 17,95 bolivianos (BOB) por litro, reajustado periodicamente conforme a cotação internacional do petróleo. O salto foi de cerca de 83% em relação ao preço subsidiado.
A medida faz parte dos compromissos assumidos pela Bolívia com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em troca de um crédito de US$ 1,9 bilhão. A retirada da subvenção aos combustíveis era um dos pontos centrais do acordo, e o governo a defende como a única saída para um esquema que consumia divisas que o país já não tinha.
O ministro de Hidrocarburos, Marcelo Blanco, descartou reverter o aumento e o enquadrou nas políticas de reativação econômica. Não há, por ora, nenhuma oferta oficial de recuo na mesa.
Um conflito que se espalha pelos departamentos
Diante das mobilizações anunciadas, o Executivo deslocou preventivamente efetivos das Forças Armadas e da Polícia para pontos estratégicos da malha rodoviária principal, com o objetivo declarado de impedir bloqueios. Segundo ativistas sociais citados pela agência Prensa Latina, o reforço se concentrou em Cochabamba; a mesma agência informa que vigora um segundo estado de exceção por três meses, até dezembro.
O protesto não se limita ao eixo cocaleiro. Em Tarija, associações de moradores foram às ruas contra as medidas econômicas. Em Santa Cruz, um grupo de pessoas foi detido pela polícia após ir ao Colégio Militar de Aviação denunciar o que chama de decisões "antipopulares".
A Central Obrera Boliviana (COB), a maior central sindical do país, convocou suas bases — confederações e centrais departamentais e regionais — para um conselho ampliado em 15 de outubro, em Cochabamba, um dia antes do início previsto da marcha. O tema central será a análise da conjuntura, ou seja, até onde a central está disposta a acompanhar o braço de ferro com o governo.
O calendário importa: uma marcha que chegue a La Paz na segunda-feira 19 colocaria o conflito na porta do Palacio Quemado (sede do governo boliviano) na mesma semana em que a COB definir sua posição.
Com informações do eju.tv, da Prensa Latina, da Radio y Televisión Universitaria (Universidad Técnica de Oruro), do El Comercio e do La Tercera.




