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Cultura

Tribunal de Tóquio decide que a voz de um artista é protegida como direito de imagem em caso sobre clones de IA no TikTok

A juíza Aya Takahashi disse que a voz é tão simbólica da personalidade quanto um retrato, mas negou o pedido de remoção feito pelo dublador Kenjiro Tsuda

Por Redação RecortNews
O prédio em Meguro, Tóquio, que abriga a Corte Superior de Propriedade Intelectual e a sucursal de Nakameguro do Tribunal Distrital de Tóquio, em 2023.
O prédio em Meguro, Tóquio, que abriga a Corte Superior de Propriedade Intelectual e a sucursal de Nakameguro do Tribunal Distrital de Tóquio, em 2023.Foto: Doricono/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

O Tribunal Distrital de Tóquio decidiu nesta quarta-feira (30) que a voz de um artista tem proteção legal no Japão, equiparada ao direito de imagem. É a primeira decisão judicial do país sobre clonagem de voz por inteligência artificial, e ela nasceu de um processo aberto pelo dublador Kenjiro Tsuda contra o TikTok.

"O uso não autorizado da voz de um artista pode ser considerado uma violação do direito de imagem", escreveu a juíza Aya Takahashi. Na fundamentação, o tribunal descreveu a voz como algo tão simbólico da personalidade de uma pessoa quanto o retrato, e estabeleceu que a proteção vale quando o propósito de usar aquela voz é exclusivamente explorar o seu apelo comercial.

Uma vitória de tese, não de pedido

Tsuda, conhecido no Japão pelo timbre grave e por trabalhos em "Jujutsu Kaisen" e "Yu-Gi-Oh!", processou a plataforma por causa de uma conta anônima que publicava vídeos narrados por IA sobre lendas urbanas e teorias conspiratórias, com uma voz que ele sustentava ser a sua.

A juíza, no entanto, não ordenou a retirada do material: a conta já havia apagado os vídeos meses antes. O dublador, portanto, sai com o precedente, e não com a providência que pedia.

Segundo a estimativa apresentada por seus advogados, a conta reunia mais de 200 mil seguidores e faturava acima de 500 mil ienes por mês — cerca de 3.200 dólares. A defesa do TikTok argumentou que se tratava de uma "voz masculina genérica" e que qualquer semelhança com a de Tsuda era subjetiva.

O que a categoria vinha pedindo

A decisão chega no meio de uma campanha do Japan Actors Union, batizada de "No More", contra a replicação de vozes por IA sem autorização. Yuko Sasaki, dirigente da entidade, afirmou que uma voz profissional é resultado de anos de treinamento rigoroso e de aprendizado com mestres da área, e que o espalhamento da clonagem automática pode encolher a profissão.

O ponto que o tribunal fixou é estreito, mas novo: não proíbe a imitação em si, e sim o uso comercial não autorizado de uma voz reconhecível. No Japão, onde a dublagem de animação é uma indústria com nomes próprios vendáveis, é exatamente esse uso que estava em disputa.

Com informações do Malay Mail, do The Star e do Philippine Star.