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Cultura

Turim sedia a primeira Terra Madre sem Carlo Petrini, no ano em que o Slow Food faz 40 anos

O encontro vai até domingo nas praças do centro da cidade, tem a biodiversidade como tema e programa "Quarenta vozes para quarenta anos"; o fundador do movimento morreu em maio, aos 76

Por Redação RecortNews
Carlo Petrini, então presidente do Slow Food, no Brasil em julho de 2015, durante a assinatura de um acordo de cooperação entre o governo brasileiro e a associação internacional.
Carlo Petrini, então presidente do Slow Food, no Brasil em julho de 2015, durante a assinatura de um acordo de cooperação entre o governo brasileiro e a associação internacional.Foto: Marcello Casal Jr/ABr/Wikimedia Commons, CC BY 3.0 br

A 16ª edição da Terra Madre Salone del Gusto começou na quinta-feira, 24 de setembro, nas praças do centro histórico de Turim, e vai até domingo, 27. É a maior reunião mundial do Slow Food — e a primeira realizada sem o homem que inventou as duas coisas.

Carlo Petrini morreu em 21 de maio deste ano, aos 76, em Bra, no Piemonte, a cidade onde nasceu e onde fundou o movimento. Tinha um câncer de próstata. Criou o Slow Food em 1986, como Arcigola, transformou-o em movimento internacional em 1989, inventou a Terra Madre em 2004 e, no mesmo ano, a Universidade de Ciências Gastronômicas.

O encontro de agora, portanto, acumula duas datas: os 40 anos do Slow Food e a primeira despedida coletiva de quem o criou.

"Biodiversity. Be diversity"

O tema desta edição é um jogo de palavras em inglês — algo como "biodiversidade, seja diversidade" — e organiza a programação em torno da diversidade de plantas, animais, alimentos, saberes e culturas, tratada como recurso para as próximas gerações.

No enquadramento do Slow Food, a defesa da biodiversidade é também uma posição política: resistência à padronização e à monocultura. A associação organiza o evento com a Região do Piemonte e a prefeitura de Turim, com apoio do Ministério da Agricultura italiano e do Ismea, o instituto de serviços para o mercado agrícola e alimentar do país. A participação do presidente da República, Sergio Mattarella, foi anunciada na programação.

Quarenta vozes para quarenta anos

O eixo comemorativo se chama Quaranta voci per quarant'anni: quatro dias em que 40 convidados — historiadores, cozinheiros, ativistas e artistas — discutem o que mudou no movimento e nos sistemas alimentares em quatro décadas.

Ao redor, a estrutura habitual do encontro: conferências, laboratórios de degustação, jantares de chefs ao lado dos produtores, atividades educativas em escolas e um grande mercado com centenas de produtores italianos e estrangeiros dedicados à proteção da biodiversidade. A preparação, batizada de "Road to Terra Madre", envolveu eventos em Turim, no Piemonte e em 160 países, organizados por associados e voluntários.

O que o Slow Food leva à feira são os instrumentos que construiu ao longo dos anos: a Arca do Gosto, catálogo que já reúne mais de 6.500 produtos ameaçados de desaparecer; os Presídios; as hortas comunitárias; as redes temáticas dedicadas a feijões, grãos, arroz e milho; e a Aliança dos Cozinheiros.

De uma briga com o fast-food a 120 países

Vale lembrar de onde a coisa saiu. Petrini ganhou projeção nos anos 1980 ao se opor à expansão do fast-food na Itália — em particular a um plano do McDonald's de abrir uma loja perto da Praça de Espanha, em Roma. O que começou como uma questão de gosto e de ritmo à mesa se ampliou, ao longo de 40 anos, para a proteção da biodiversidade, a sustentabilidade ambiental e social e a valorização das comunidades agrícolas, resumidas na fórmula que virou marca do movimento: comida boa, limpa e justa.

Hoje o Slow Food atua em mais de 120 países. Para dar a medida do encontro: a edição de 2024 reuniu mais de 3.300 delegados de 121 países, 200 deles indígenas, e 700 expositores; a Terra Madre de estreia, em 2004, havia juntado 5.000 delegados de 130 países.

A edição de 2026 também é a 46ª do Salone del Gusto, a feira de Turim que antecede a Terra Madre e acabou fundida a ela. A escolha de tratar esta como uma transmissão de herança — e não como homenagem nostálgica — é explícita na comunicação dos organizadores, que preferem falar do legado cultural de Petrini a falar de sua ausência.

Com informações do Slow Food, do WineNews e do Sky TG24.