A 16ª edição da Terra Madre Salone del Gusto começou na quinta-feira, 24 de setembro, nas praças do centro histórico de Turim, e vai até domingo, 27. É a maior reunião mundial do Slow Food — e a primeira realizada sem o homem que inventou as duas coisas.
Carlo Petrini morreu em 21 de maio deste ano, aos 76, em Bra, no Piemonte, a cidade onde nasceu e onde fundou o movimento. Tinha um câncer de próstata. Criou o Slow Food em 1986, como Arcigola, transformou-o em movimento internacional em 1989, inventou a Terra Madre em 2004 e, no mesmo ano, a Universidade de Ciências Gastronômicas.
O encontro de agora, portanto, acumula duas datas: os 40 anos do Slow Food e a primeira despedida coletiva de quem o criou.
"Biodiversity. Be diversity"
O tema desta edição é um jogo de palavras em inglês — algo como "biodiversidade, seja diversidade" — e organiza a programação em torno da diversidade de plantas, animais, alimentos, saberes e culturas, tratada como recurso para as próximas gerações.
No enquadramento do Slow Food, a defesa da biodiversidade é também uma posição política: resistência à padronização e à monocultura. A associação organiza o evento com a Região do Piemonte e a prefeitura de Turim, com apoio do Ministério da Agricultura italiano e do Ismea, o instituto de serviços para o mercado agrícola e alimentar do país. A participação do presidente da República, Sergio Mattarella, foi anunciada na programação.
Quarenta vozes para quarenta anos
O eixo comemorativo se chama Quaranta voci per quarant'anni: quatro dias em que 40 convidados — historiadores, cozinheiros, ativistas e artistas — discutem o que mudou no movimento e nos sistemas alimentares em quatro décadas.
Ao redor, a estrutura habitual do encontro: conferências, laboratórios de degustação, jantares de chefs ao lado dos produtores, atividades educativas em escolas e um grande mercado com centenas de produtores italianos e estrangeiros dedicados à proteção da biodiversidade. A preparação, batizada de "Road to Terra Madre", envolveu eventos em Turim, no Piemonte e em 160 países, organizados por associados e voluntários.
O que o Slow Food leva à feira são os instrumentos que construiu ao longo dos anos: a Arca do Gosto, catálogo que já reúne mais de 6.500 produtos ameaçados de desaparecer; os Presídios; as hortas comunitárias; as redes temáticas dedicadas a feijões, grãos, arroz e milho; e a Aliança dos Cozinheiros.
De uma briga com o fast-food a 120 países
Vale lembrar de onde a coisa saiu. Petrini ganhou projeção nos anos 1980 ao se opor à expansão do fast-food na Itália — em particular a um plano do McDonald's de abrir uma loja perto da Praça de Espanha, em Roma. O que começou como uma questão de gosto e de ritmo à mesa se ampliou, ao longo de 40 anos, para a proteção da biodiversidade, a sustentabilidade ambiental e social e a valorização das comunidades agrícolas, resumidas na fórmula que virou marca do movimento: comida boa, limpa e justa.
Hoje o Slow Food atua em mais de 120 países. Para dar a medida do encontro: a edição de 2024 reuniu mais de 3.300 delegados de 121 países, 200 deles indígenas, e 700 expositores; a Terra Madre de estreia, em 2004, havia juntado 5.000 delegados de 130 países.
A edição de 2026 também é a 46ª do Salone del Gusto, a feira de Turim que antecede a Terra Madre e acabou fundida a ela. A escolha de tratar esta como uma transmissão de herança — e não como homenagem nostálgica — é explícita na comunicação dos organizadores, que preferem falar do legado cultural de Petrini a falar de sua ausência.
Com informações do Slow Food, do WineNews e do Sky TG24.




