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UE sanciona 1.569 empresas e executivos do complexo militar russo na maior lista desde 2022

São 826 empresas e 743 dirigentes; com eles, o regime europeu sobre a integridade territorial da Ucrânia passa a reunir cerca de 4.600 alvos

Por Redação RecortNews
Kaja Kallas, alta representante da União Europeia para Política Externa e Segurança, em retrato oficial de novembro de 2024.
Kaja Kallas, alta representante da União Europeia para Política Externa e Segurança, em retrato oficial de novembro de 2024.Foto: Aurore Martignoni/União Europeia, via Wikimedia Commons, CC BY 4.0

A União Europeia aprovou nesta segunda-feira (12) a maior lista de sanções individuais que já adotou de uma só vez contra a Rússia. São 1.569 novos alvos — 826 empresas e 743 pessoas físicas, em geral dirigentes dessas mesmas empresas — ligados ao que o Conselho da União Europeia descreve como o miolo da indústria militar russa: os fornecedores de peças, e não as grandes fabricantes de armamento.

A decisão saiu de uma reunião dos ministros das Relações Exteriores dos 27 países do bloco, em Luxemburgo, e foi publicada no mesmo dia no Diário Oficial da União Europeia, pela Decisão (PESC) 2026/2279 e pelo Regulamento de Execução (UE) 2026/2281.

Cerca de 4.600 alvos no regime da Ucrânia

Com as novas inclusões, o regime europeu de medidas restritivas contra ações que ameaçam a integridade territorial, a soberania e a independência da Ucrânia passa a reunir aproximadamente 4.600 pessoas e entidades.

As empresas listadas somam faturamento anual de pelo menos 20 bilhões de euros e empregam mais de 250 mil pessoas, segundo o Conselho. É o dado que explica a mudança de alvo: em vez de voltar-se às estatais de defesa já sancionadas desde 2022, o bloco desceu um degrau na cadeia e atingiu a camada de fornecedores que mantém as linhas de produção funcionando.

Eletrônica, radares, explosivos

Os componentes citados no ato europeu se dividem em cinco grupos:

  • eletrônica, incluindo semicondutores, microcircuitos e computadores;
  • equipamentos de comunicação, incluindo radares, antenas e transceptores;
  • sistemas de aviação, satélites e mísseis;
  • explosivos e munições;
  • óptica e sistemas de navegação.

Segundo a alta representante da União Europeia para Política Externa e Segurança, Kaja Kallas, mais da metade das inclusões está na cadeia de produção dos mísseis balísticos que a Rússia usa contra civis ucranianos.

O que as medidas fazem

As pessoas e entidades listadas têm os bens congelados no território da União Europeia, e fica proibido disponibilizar-lhes recursos ou fundos, direta ou indiretamente. As pessoas físicas também ficam impedidas de entrar no bloco.

Sanção de lista não bloqueia a produção dentro da Rússia: ela corta o acesso ao sistema financeiro europeu, aos contratos com empresas do bloco e à circulação dos executivos — e serve de referência para que bancos e fornecedores de terceiros países calculem seu próprio risco.

77 nomes pelas eleições em territórios ocupados

No mesmo dia, o bloco aprovou um segundo conjunto de inclusões, com 77 pessoas ligadas às eleições para a Duma russa realizadas em territórios ocupados da Ucrânia, segundo a Eunews e a Ukrainska Pravda. Esse pacote é separado da lista do complexo militar e trata do reconhecimento político da ocupação, não do fornecimento de armas.

"Não é hora de aliviar a pressão"

Kallas afirmou que o bloco "adotou a maior rodada de inclusões em listas de sanções desde 2022" e que o momento pede o contrário de um recuo: "Agora não é hora de aliviar a pressão sobre Moscou, mas de aumentá-la."

A base política da decisão são as conclusões do Conselho Europeu de 18 e 19 de junho de 2026, que condenaram a escalada russa — ataques em larga escala com mísseis e drones contra civis — e pediram mais pressão, inclusive por novas sanções.

Com informações do Conselho da União Europeia, do Serviço Europeu para a Ação Externa, da Eunews e da Ukrainska Pravda.