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Política

Último debate entre Lula e Flávio Bolsonaro está marcado para esta sexta, a dois dias de um segundo turno que a PoderData aponta em 51% a 49%

As duas campanhas assinaram as atas em 19 de outubro; Lula condicionou a presença à quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos dois candidatos e de suas famílias

Por Redação RecortNews
A urna eletrônica modelo UE2020, apresentada pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2021; o segundo turno é neste domingo.
A urna eletrônica modelo UE2020, apresentada pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2021; o segundo turno é neste domingo.Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE, via Wikimedia Commons, domínio público

O último debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) antes do segundo turno está marcado para as 21h20 desta sexta-feira (23), na TV Globo, logo depois do Jornal Nacional. A votação é no domingo (25).

A mediação é do jornalista César Tralli, com transmissão simultânea pela GloboNews e pelo portal g1.

Como o debate foi desenhado

As regras foram divulgadas em 19 de outubro, depois de as duas campanhas assinarem as atas com os termos do programa. O formato tem três blocos:

  • Regiões: as cinco regiões do país são sorteadas e, a cada rodada, o candidato sorteado pergunta ao adversário sobre aquela região, até esgotar todas.
  • Temas escolhidos: cada candidato seleciona seis de dez assuntos definidos pela produção da emissora, entre eles o SUS e a escola em tempo integral.
  • Tema livre: os candidatos levantam o que quiserem.

O programa termina com as considerações finais. Emissora e campanhas ainda podem acertar ajustes até o ar.

A condição que Lula pôs

Em 20 de outubro, Lula disse que só iria ao debate se o adversário autorizasse a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos dois candidatos e de suas famílias. "Se ele apresentar um documento autorizando quebrar o sigilo vai ter debate", afirmou.

No dia seguinte, o senador Camilo Santana (PT) declarou que Lula aceita as condições apresentadas por Flávio Bolsonaro para a liberação dos dados.

A Lei das Eleições não obriga candidato a comparecer a debate. A emissora precisa convidar os concorrentes de partidos ou coligações com pelo menos cinco deputados federais, e o programa pode ir ao ar sem um convidado se houver prova de que o convite foi enviado com 72 horas de antecedência.

Seis semanas de debates que não aconteceram

O encontro desta sexta é o segundo do segundo turno. Em 18 de outubro, na Band, em São Paulo, os dois se enfrentaram diretamente pela primeira vez desde o primeiro turno, com blocos sobre economia, segurança pública, saúde e corrupção.

Antes disso, a sequência foi de cancelamentos: o debate de 1º de outubro, na Globo, não ocorreu — Lula já havia decidido não comparecer, e Flávio Bolsonaro desistiu horas antes da exibição, classificando como "censura" decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que alteraram as regras do programa. Os encontros previstos para 14 e 23 de setembro também caíram por falta de confirmação dos candidatos.

Dois pontos de diferença

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16% — uma diferença superior a 2,2 milhões de votos.

Pesquisa PoderData divulgada em 22 de outubro aponta Flávio Bolsonaro com 51% e Lula com 49% dos votos válidos. Foram 4.000 entrevistas entre 19 e 22 de outubro, margem de erro de 1,6 ponto percentual e nível de confiança de 95%; o registro no TSE é o BR-07926/2026.

A rejeição é quase simétrica: 47% dos entrevistados afirmam que não votariam em Lula de jeito nenhum, e 45% dizem o mesmo de Flávio Bolsonaro. Com a diferença dentro de um intervalo estreito e a rejeição equilibrada dos dois lados, o debate é a última ocasião em que os dois nomes falam ao mesmo público antes da votação — o prazo para comícios e atos de campanha terminou na quinta-feira (22).

Com informações de O Povo, Gazeta do Povo, Agência Brasil e Diário do Grande ABC.