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Esportes

Fim das bets atinge 14 dos 20 clubes da Série A e mais de R$ 1 bilhão em patrocínio

Flamengo tem o maior contrato, de R$ 268,5 milhões por ano com a Betano, que também dá nome ao Brasileirão; presidente rubro-negro estima perda de R$ 2,5 bilhões para o futebol em 2027

Por Redação RecortNews
Vista interna do Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, antes de uma partida do Campeonato Brasileiro de 2010.
Vista interna do Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, antes de uma partida do Campeonato Brasileiro de 2010.Foto: Rodrigo Silveira Camargo/Wikimedia Commons, domínio público

A medida provisória assinada na sexta-feira (25), que encerra as apostas de quota fixa no Brasil, tem um endereço muito concreto: a camisa da maioria dos times de futebol do país. Em quatro anos, as casas de apostas passaram de anunciante marginal a principal financiador do calendário — e agora saem de cena com um prazo de duas semanas.

Na Série A, 14 dos 20 clubes têm uma bet como patrocinador máster. Escapam apenas Athletico-PR, Bahia, Coritiba e Internacional, que não mantêm vínculo com o setor. Na Série B, 13 dos 20 clubes têm algum contrato com casas de apostas, 11 deles na cota principal. A Série C soma outros sete clubes.

Quanto vale cada camisa

Os valores anuais dos contratos de patrocínio máster na primeira divisão, segundo levantamentos da CNN Brasil e do jornal O Tempo:

Clube Valor anual Patrocinador
Flamengo R$ 268,5 milhões Betano
Corinthians R$ 150 milhões Esportes da Sorte
São Paulo R$ 113 milhões Superbet
Palmeiras R$ 100 milhões Sportingbet
Atlético-MG R$ 62 milhões H2Bet
Botafogo R$ 55 milhões VBet
Fluminense R$ 52 milhões Superbet
Vasco R$ 50 milhões Sportingbet
Grêmio R$ 46 milhões Pitaco
Cruzeiro R$ 40 milhões Betnacional
Santos R$ 35 milhões Novibet
Vitória R$ 20 milhões 7KBet
Remo R$ 12 milhões VaideBet
Chapecoense não divulgado ZeroUm

O contrato do Flamengo sozinho vale mais que a soma dos seis menores da lista. A exposição não termina nos uniformes: a Betano detém também o naming right do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil, em acordo estimado entre R$ 70 milhões e R$ 80 milhões por ano — o que significa que a competição pode perder o nome comercial no meio da temporada.

Um terço da receita de marketing

O mercado de apostas movimentou cerca de R$ 1,1 bilhão em patrocínio no futebol brasileiro em 2025, o equivalente a 34% de toda a receita de marketing dos maiores clubes e a aproximadamente 8% da receita total deles. Em 2026, o volume se manteve acima de R$ 1 bilhão.

É uma dependência construída depressa e concentrada num único setor — a situação que, no jargão financeiro, costuma ser descrita como risco de contraparte. A MP transforma esse risco em perda contábil de uma vez só, e no meio do exercício.

Luiz Eduardo Baptista, o Bap, presidente do Flamengo, estimou que o futebol brasileiro pode perder "cerca de R$ 2,5 bilhões" no ano que vem caso a medida provisória seja aprovada pelo Congresso — cifra que é mais que o dobro do patrocínio direto e inclui efeitos indiretos sobre transmissão e comercialização.

A reação do setor

O grupo Flutter, que opera algumas das marcas atingidas, e o Instituto Brasileiro do Jogo Responsável manifestaram-se contra a proibição, defendendo o caminho da "regulamentação, fiscalização e recolhimento de impostos" em lugar do banimento.

Os clubes, até agora, não anunciaram posição coletiva. O texto precisa ser aprovado pelo Congresso em até 60 dias, prorrogáveis por mais 60, e a expectativa do governo é de votação em novembro — o que dá às federações e aos clubes uma janela para tentar emendas no Legislativo. Até lá, os contratos existem no papel, mas as empresas que os assinaram não poderão operar no país a partir de 6 de outubro.

Com informações da CNN Brasil, do jornal O Tempo e da Agência Gov.