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Esportes

Irlanda decide jogar contra Israel na Liga das Nações, e o goleiro Gavin Bazunu deixa a seleção

Depois de quatro horas de reunião, os jogadores votaram por "ampla maioria" para cumprir a partida deste domingo em Debrecen, na Hungria; mais de 160 atletas irlandeses pediam boicote

Por Redação RecortNews
Vista aérea do Nagyerdei Stadion, em Debrecen, na Hungria, em 2014. O estádio recebe os jogos de Israel como mandante.
Vista aérea do Nagyerdei Stadion, em Debrecen, na Hungria, em 2014. O estádio recebe os jogos de Israel como mandante.Foto: CivertanS at Hungarian Wikipedia/Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0

A seleção da Irlanda vai entrar em campo contra Israel neste domingo (27) pelo Grupo B3 da Liga das Nações da Uefa, no Nagyerdei Stadion, em Debrecen, na Hungria. A decisão foi anunciada no sábado pela Federação de Futebol da Irlanda (FAI) depois de uma votação entre os jogadores — e depois de o goleiro Gavin Bazunu, do Bolton Wanderers, comunicar ao grupo que não jogaria.

A reunião que definiu a participação durou cerca de quatro horas e envolveu jogadores, comissão técnica e dirigentes da federação, já com a delegação na Hungria. A entrevista coletiva prevista para a véspera do jogo foi adiada enquanto o grupo deliberava.

A votação

"No fim, fizemos uma votação no grupo para estabelecer o sentimento dos jogadores sobre cumprir as partidas", disse o presidente executivo da FAI, David Courell. Segundo ele, o resultado foi "uma ampla maioria pela intenção de continuar", e a federação então tomou a decisão em nome do futebol irlandês.

Bazunu foi o único a se retirar. "Seria errado participar", afirmou o goleiro, em declaração citada pelo Irish Times.

O clima no grupo, porém, não é de consenso. O meio-campista Jason Knight resumiu a posição de parte dos jogadores: "Eu não acho que o jogo deveria acontecer, mas ele vai acontecer."

A pressão pelo boicote

Mais de 160 esportistas irlandeses assinaram uma carta aberta pedindo que a seleção não cumprisse os dois jogos contra Israel. O conselho da FAI já havia pedido à Uefa a suspensão de Israel das competições europeias, mas os filiados votaram em julho por disputar as partidas.

O argumento da federação para não abandonar a competição é disciplinar: uma ausência exporia a Irlanda a sanções severas da Uefa, incluindo perda de pontos.

O técnico Heimir Hallgrímsson havia usado a palavra "genocídio" ao falar da ação israelense em Gaza, em entrevista anterior ao jogo. A Federação de Futebol de Israel classificou a declaração como "estúpida, ignorante e hipócrita". Hallgrímsson voltou atrás na véspera: "É uma palavra forte e a palavra errada para eu usar."

Dois jogos em campo neutro

Nenhuma das duas partidas será disputada no país que manda o jogo. Israel cumpre seus compromissos como anfitrião em Debrecen desde o início do ciclo. A segunda partida entre as seleções, marcada para 4 de outubro e em que a Irlanda é a mandante, foi transferida para Bačka Topola, na Sérvia, e será disputada sem público.

Com informações de Al Jazeera, The National, Irish Times e Times of Israel.