O Conselho de Segurança da ONU prorrogou nesta terça-feira, 29 de setembro, por seis meses o mandato da Força de Supressão de Gangues (GSF, na sigla em inglês) que atua no Haiti. A autorização, que estava a ponto de vencer, vai agora até 31 de março de 2027.
A votação foi de 13 a favor e nenhum contra, com as abstenções de Rússia, China e Paquistão, que questionaram a eficácia do envio de tropas. Nenhum dos três recorreu ao veto, e a resolução foi aprovada.
Uma força que chegou a um terço do previsto
A GSF foi autorizada em setembro de 2025 por um período inicial de doze meses, em substituição à Missão Multinacional de Apoio à Segurança que havia sido liderada pelo Quênia. O desenho aprovado então previa 5.500 uniformados e 50 civis.
Esse número continua distante. Segundo a contagem citada no debate, a força tem hoje cerca de 1.500 efetivos — perto de 30% do autorizado —, e outros 4.000 são esperados nos próximos meses. A agência EFE situava o contingente abaixo de 1.000 efetivos em julho de 2026, o que dá a medida da lentidão do envio.
Os países que cederam pessoal são Chade, Mongólia, Jamaica, Guatemala, El Salvador e Sri Lanka. É uma lista curta para um mandato desse tamanho, e a diferença entre o autorizado e o que está no terreno atravessa toda a discussão sobre o Haiti: uma força a 30% não cobre o território que o mandato lhe atribui.
O que a prorrogação tem de sustentar
A violência armada não recuou. Mais de 1,5 milhão de pessoas estão deslocadas de suas casas dentro do país, e entre abril e junho de 2026 a ONU documentou 1.408 assassinatos e mais de 650 feridos ligados aos grupos armados.
O calendário político acrescenta pressão. O Haiti marcou para 13 de dezembro de 2026 suas primeiras eleições presidenciais e legislativas desde 2016, junto com um referendo constitucional. São onze semanas entre a votação desta terça e essa data, e o mandato renovado vence pouco mais de três meses depois do pleito.
O embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, defendeu a abordagem da força e lhe impôs um limite: "Tudo está desenhado com um objetivo final: que os haitianos recuperem o controle da sua segurança e do seu futuro. Isso não pode se tornar uma missão sem fim". Waltz afirmou ainda que a GSF se distingue dos envios anteriores porque pode coordenar com o exército haitiano ou operar por conta própria, e não apenas apoiar a polícia.
A leitura de Porto Príncipe
O governo haitiano comemorou a decisão. A Presidência a descreveu como um avanço importante para seguir restabelecendo a segurança no país, e destacou que o apoio internacional "deve complementar, não substituir" o fortalecimento das capacidades próprias.
As autoridades haitianas informaram que mais de 2.000 policiais foram formados e que há 1.500 recrutas militares em instrução, com a meta de chegar a 15.000 soldados em três anos. "A luta pela segurança continua. O Estado haitiano está decidido a ganhá-la", diz o comunicado oficial.
Com informações do Conselho de Segurança da ONU, da Presidência do Haiti, EFE, Listín Diario, Diario Libre e Al Jazeera.




