Os protestos contra os cortes de energia se espalharam no fim de semana por quatro estados da Venezuela. Em Guárico foi a terceira noite consecutiva de manifestações; em Zulia, Lara e Carabobo os moradores saíram às ruas com panelas, cornetas e pneus em chamas para exigir explicações da Corpoelec, a estatal que administra o serviço.
A empresa não se pronunciou publicamente sobre os cortes desses dias.
Três noites em Guárico
Em Guárico, os protestos se repetiram em Tucupido, Chaguaramas, Calabozo, Zaraza e Camaguán. Segundo o site La Patilla, moradores de Chaguaramas bloquearam a estrada nacional por volta das nove da noite, com panelaços e queima de pneus velhos. Uma das palavras de ordem resume a queixa: "Não tenho luz e quero trabalhar".
O Infobae registrou, na mesma noite, concentrações no setor Altos de Jalisco e na paróquia Coquivacoa, em Maracaibo, e no setor La Sorpresa de Puerto Cabello, em Carabobo, onde o corte começou perto das 18h50 de sexta-feira. Em Lara, as manifestações se concentraram no setor La Fuente, em Carora.
De duas horas para dezesseis
O dado que explica a irritação não é o apagão isolado, mas o acúmulo. Moradores de Maracaibo ouvidos pelo Noticias SIN descreveram cortes de cerca de seis horas que se repetem várias vezes ao dia — de manhã, à tarde e de madrugada — e jornadas que chegaram a 16 horas sem serviço. O racionamento teria passado de cerca de duas horas diárias em março para cerca de seis em setembro.
É essa progressão que transforma um problema de infraestrutura em um problema de trabalho e de casa: comércios que não abrem, cadeias de frio que se rompem, trabalho remoto inviável.
A resposta oficial e o apelo a Washington
A presidenta encarregada, Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo em 5 de janeiro de 2026, pediu no fim de agosto que a população economizasse eletricidade e água, e atribuiu a tensão no sistema a níveis de demanda que, segundo ela, não se viam desde 2017. O governo assinou ainda acordos com a GE Vernova e a Siemens para recuperar a infraestrutura da rede.
O chavismo atribui as falhas às sanções externas; setores da oposição e organizações não governamentais as ligam à falta de manutenção e à gestão da estatal. Em Maracaibo, parte dos manifestantes pediu eleições, e o líder comunitário Ángel Pérez apelou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao secretário de Estado, Marco Rubio, para olharem além do negócio do petróleo.
Na semana passada, na Assembleia Geral da ONU, Rodríguez prometeu eleições sem marcar data.
Com informações de Infobae, La Patilla, Noticias SIN e CNN en Español.




