Pular para o conteúdo
RecortNews
Brasil

Cantareira fecha setembro com 41,1% e sai da faixa de alerta depois de cinco meses de queda

O sistema que abastece metade da Grande São Paulo estava em 32,99% no fim de agosto; a captação autorizada sobe de 27 para 31 mil litros por segundo

Por Redação RecortNews
A represa do rio Jaguari, um dos cinco reservatórios interligados do Sistema Cantareira, em Bragança Paulista (SP), em 2009.
A represa do rio Jaguari, um dos cinco reservatórios interligados do Sistema Cantareira, em Bragança Paulista (SP), em 2009.Foto: Antonio Sonsin/Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0

O Sistema Cantareira, que responde por cerca de metade do abastecimento da Grande São Paulo, passou a operar em 1º de outubro na faixa de atenção, um degrau acima da faixa de alerta em que estava desde o inverno. O conjunto de reservatórios fechou setembro com 41,1% do volume útil armazenado.

A mudança encerra uma sequência de cinco meses de queda. No fim de agosto, o nível havia chegado a 32,99% — dentro da faixa de alerta, a segunda pior da escala.

O que muda na prática

A faixa de operação não é uma classificação simbólica: ela define quanta água a Sabesp pode retirar do sistema.

  • Na faixa de alerta, a retirada autorizada era de 27 metros cúbicos por segundo — 27 mil litros a cada segundo.
  • Na faixa de atenção, que vale agora, o limite sobe para 31 m³/s.
  • Em operação normal, o teto é de 33 m³/s.

A folga de 4 m³/s equivale a cerca de 345 milhões de litros por dia a mais disponíveis para o sistema distribuidor — margem que reduz a pressão sobre os mananciais vizinhos, usados como reforço quando o Cantareira aperta.

As cinco faixas e de onde elas vêm

A escala está na Resolução Conjunta 925/2017, editada depois da crise hídrica de 2014 e 2015. Ela divide a operação em cinco faixas, da normal — volume útil igual ou acima de 60% — à especial, abaixo de 20%. A faixa de atenção cobre o intervalo entre 40% e 60%.

O acompanhamento é diário e cabe à Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e à SP Águas, a agência estadual paulista, que monitoram armazenamento, vazões e capacidade.

O tamanho do sistema

O Cantareira reúne cinco reservatórios interligados, com capacidade útil somada de 981,56 bilhões de litros. Além de atender aproximadamente metade da população da região metropolitana de São Paulo, o sistema abastece municípios como Campinas e interfere em três bacias hidrográficas.

A recuperação é obra das chuvas de setembro, mês que veio acima da média na região dos mananciais. Vale a ressalva de sempre: sair do alerta não é sair do risco. Outubro marca o início do período úmido no Sudeste, e o que determina a segurança do abastecimento no inverno seguinte é o volume acumulado até março — não o número de um mês isolado.

Com informações da Agência Brasil, do Fato Paulista e de dados da ANA e da SP Águas.