O Departamento de Defesa dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (30) a conclusão da retirada das forças da coalizão internacional do Iraque, encerrando uma presença militar estrangeira que começou com a invasão de março de 2003. A última etapa foi a desocupação da base aérea de Erbil, no Curdistão iraquiano, onde as tropas americanas estavam concentradas desde que deixaram as demais instalações do país.
A "retirada ordenada das forças e dos equipamentos da coligação da Base Aérea de Erbil marca a conclusão bem-sucedida da missão militar que derrotou" o grupo Estado Islâmico, afirmou o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, segundo o Diário de Notícias.
Uma data que Bagdá tratou como irreversível
O prazo de 30 de setembro vinha sendo apresentado como definitivo pelo primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi. Em agosto, ele o descreveu como a "data fixa e final" para o encerramento da missão militar e disse que 1º de outubro marcaria "um novo dia" sem presença militar estrangeira no país. O cronograma havia sido acertado em uma reunião com o comandante do Comando Central americano (Centcom), general Brad Cooper, de acordo com a Al Jazeera.
Ao confirmar o fim da coalizão nesta quarta, al-Zaidi afirmou que o Iraque entra em "uma nova fase", caracterizada pela soberania do país, pela força de suas instituições e por alianças equilibradas com seus aliados.
Três ciclos em 23 anos
A presença militar estrangeira no Iraque atravessou três etapas distintas. Começou em 20 de março de 2003, com a invasão liderada por Estados Unidos e Reino Unido que depôs Saddam Hussein. O grosso das tropas americanas deixou o país em 2011, mas voltou em 2014, agora sob o mandato de uma coalizão internacional montada para combater o Estado Islâmico.
Foi essa terceira etapa que terminou agora. O plano de transição da missão antijihadista foi anunciado em setembro de 2024, quando havia cerca de 2.500 militares americanos no Iraque. A retirada propriamente dita começou em 18 de agosto de 2025; a base aérea de Al Asad, no oeste do país, foi entregue às forças iraquianas em janeiro de 2026; a missão da Otan no Iraque foi encerrada em março de 2026; e Erbil ficou para o fim.
Ao longo dos 23 anos, cerca de 4.500 militares americanos morreram no Iraque, segundo o portal Forças Terrestres.
Teerã celebra, Erbil reclama
O Irã trata a saída como uma vitória estratégica, e grupos armados alinhados a Teerã a descreveram como uma "derrota esmagadora do projeto americano". O Kataib Hezbollah ameaçou abater qualquer aeronave hostil que sobrevoe o espaço aéreo iraquiano depois de 30 de setembro.
A reação mais dura, no entanto, veio do norte. O líder do Governo Regional do Curdistão, Masrour Barzani, classificou a retirada como vergonhosa e alegou que a região não tem sistemas de defesa capazes de responder a ataques iranianos. Autoridades curdas contabilizam mais de mil ataques com mísseis e drones contra o Curdistão iraquiano desde fevereiro de 2026.
O número ajuda a medir o que a saída significa em termos práticos: os acordos de apoio militar americano expiravam nesta quarta-feira, e as baterias antiaéreas Patriot que cobriam a região estariam sendo transferidas para a Jordânia. Os Estados Unidos mantêm em Erbil um consulado de grande porte, mas sem a estrutura militar que o acompanhava.
Com informações do Diário de Notícias, da Al Jazeera e do portal Forças Terrestres.




