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Política

Delcy Rodríguez promete eleições na Venezuela na ONU, mas não marca data

A presidente encarregada disse na Assembleia Geral que o momento da votação será determinado pelo "povo venezuelano" e afirmou que seu governo já dialoga com setores da oposição

Por Redação RecortNews
Delcy Rodríguez, então chanceler da Venezuela, durante a 49ª Cúpula do Mercosul em Assunção, no Paraguai, em dezembro de 2015.
Delcy Rodríguez, então chanceler da Venezuela, durante a 49ª Cúpula do Mercosul em Assunção, no Paraguai, em dezembro de 2015.Foto: Casa Rosada Argentina/Wikimedia Commons, CC BY 2.5 ar

A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou na quarta-feira, 23 de setembro de 2026, diante da 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, que o país realizará eleições. Não disse quando.

"O momento das eleições será determinado pelo povo venezuelano", afirmou no discurso em Nova York, no qual sustentou que as instituições do país devem se preparar para garantir uma votação "inclusiva e transparente".

Rodríguez assumiu a presidência encarregada em 5 de janeiro de 2026, após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. Era, até então, vice-presidente executiva e ministra de Economia e Finanças.

Um anúncio sem calendário

O discurso foi o primeiro da nova etapa venezuelana diante do plenário da ONU e veio carregado do vocabulário da transição: Rodríguez falou em um "renascimento da Venezuela" e em uma "transformação democrática" que, sublinhou, se fará pela via institucional.

"Uma nação não renasce apenas reconstruindo edifícios; renasce quando reconstrói a confiança em suas instituições", disse.

Também afirmou que seu governo já iniciou um diálogo com setores da oposição. Não precisou, porém, nenhum dos elementos que permitiriam medir o alcance do compromisso: não mencionou uma data nem um intervalo de datas, não indicou qual autoridade eleitoral conduziria o processo nem sob quais regras, e não se referiu à presença de observação internacional.

A aproximação com Washington

A passagem mais chamativa do discurso foi o agradecimento explícito ao presidente americano Donald Trump por sua disposição de retomar as relações diplomáticas e de cooperação entre os dois países.

Rodríguez enumerou as áreas em que, segundo ela, os dois governos trabalham para processar suas diferenças por meio do diálogo: energia, segurança, crime transnacional e economia. É uma guinada considerável em relação à retórica venezuelana da última década no mesmo fórum, em que Washington era apontado como principal adversário.

Sanções e Essequibo

A presidente encarregada defendeu o direito da Venezuela a um país "sem restrições econômicas" que possa exercer plenamente seu direito ao desenvolvimento — fórmula que, na linguagem diplomática venezuelana, aponta para o levantamento das sanções.

No trecho final, reafirmou as reivindicações históricas da Venezuela sobre a Guiana Essequiba, território em disputa com a Guiana, e pediu a Georgetown que volte à mesa de negociação. Nesse ponto a posição não mudou em relação à sustentada pelos governos anteriores.

O que falta verificar

O anúncio deixa aberta a pergunta central: quando. Sem calendário, sem árbitro eleitoral definido e sem condições de disputa explicitadas, a promessa de eleições permanece por ora no terreno da declaração política. Os próximos passos do diálogo com a oposição e qualquer decisão sobre o Consejo Nacional Electoral (autoridade eleitoral venezuelana) serão os indicadores que permitirão avaliá-la.

Com informações de ONU News, Euronews e El Comercio.