O surto de ebola na República Democrática do Congo ultrapassou 3.700 mortes, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) vê, mais de 130 dias depois do início, os primeiros sinais consistentes de recuo — em parte do território.
Os números
Segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC), o balanço de 23 de setembro registrava 7.773 casos confirmados, 3.759 mortes e 1.935 recuperações, com 839 pacientes internados em isolamento. O surto se espalha por sete províncias e 63 zonas de saúde, com a maior concentração em Ituri (5.966 casos), seguida de Kivu do Norte (1.438) e Haut-Uélé (316).
O vírus é o Bundibugyo, uma das variantes do ebola.
Nos últimos 21 dias, o quadro se dividiu geograficamente:
- Ituri: queda de cerca de 26% nos casos
- Haut-Uélé: queda de 15%
- Kivu do Norte: alta de 73%
"Esses padrões mostram que o surto ainda não está sob controle e continua espalhado por uma área geográfica ampla", disse a médica Marie Roseline Belizaire, da OMS.
Quem está morrendo
A letalidade é desigual por idade: passa de 60% entre crianças de até 5 anos, contra cerca de 40% entre adultos.
Outro indicador preocupa a resposta: um em cada três novos casos só é identificado depois da morte, já na comunidade — sinal de que a transmissão está ocorrendo longe das estruturas de saúde. O rastreamento de contatos, por outro lado, alcança 88% dos casos.
A estrutura montada e o que falta
A resposta reúne 49 centros de tratamento, com cerca de 1.400 leitos, e 25 laboratórios capazes de processar até 2.500 testes por dia. O gargalo, segundo a OMS, não é de equipamento.
"A lacuna de recursos humanos é uma das maiores lacunas", afirmou Catherine Smallwood, da organização, referindo-se à falta de pessoal para operar os centros de tratamento.
O desafio declarado agora é deslocar a resposta dos centros urbanos, onde ela foi montada, para as aldeias remotas onde a transmissão está acontecendo — exatamente o movimento mais caro e mais lento.
Fora da África, o surto produziu três casos importados, na Europa e nos Estados Unidos, todos em pessoas com ligação com a República Democrática do Congo e todos já recuperados. O ECDC avalia como "muito baixo" o risco de importação para a União Europeia. O surto de Uganda, associado ao mesmo período, foi declarado encerrado em agosto de 2026, após 42 dias sem novos casos confirmados.
Com informações da Organização Mundial da Saúde, da ONU News e do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças.



