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Política

Estados Unidos revogam vistos de 27 juízes, promotores e autoridades da Bolívia, Colômbia, Equador e Peru

O Departamento de Estado nomeou o procurador-geral boliviano, Róger Mariaca, a senadora colombiana Martha Peralta, o empresário Euclides Torres e o juiz peruano Juan Carlos Núñez. Mariaca invocou o princípio da não ingerência e disse que não vai recuar nas investigações.

Por Redação RecortNews
O edifício Harry S. Truman, sede do Departamento de Estado dos Estados Unidos, em Washington, em 2024.
O edifício Harry S. Truman, sede do Departamento de Estado dos Estados Unidos, em Washington, em 2024.Foto: U.S. Department of State/Wikimedia Commons, domínio público

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou na segunda-feira, 28 de setembro de 2026, restrições de visto contra 27 autoridades, ex-autoridades e familiares da Bolívia, da Colômbia, do Equador e do Peru, a quem atribui atos de corrupção, ligações com o narcotráfico ou manobras para minar governos democraticamente eleitos. A medida foi divulgada pelo gabinete do porta-voz e amplificada nas redes sociais pelo vice-secretário de Estado, Christopher Landau.

A maioria dos sancionados é boliviana. À Colômbia e ao Equador correspondem duas pessoas cada um, e ao Peru, um juiz. Parte da lista não foi tornada pública: há designações nominais e outras que o Departamento de Estado manteve reservadas.

Quem Washington nomeou

O nome de maior hierarquia é o do procurador-geral da Bolívia, Róger Mariaca — o fiscal general del Estado, chefe do Ministério Público boliviano —, a quem o Departamento de Estado acusa de ter abusado do cargo público ao solicitar e aceitar propinas para facilitar o narcotráfico. A lista boliviana inclui ainda promotores, juízes, magistrados do Tribunal Constitucional, um coronel de polícia e o ex-ministro da Justiça Iván Lima.

Na Colômbia figuram a senadora Martha Isabel Peralta Epieyú e o empresário do setor de energia Euclides Antonio Torres Romero. No Peru, o juiz Juan Carlos Núñez Matos, do Primeiro Juizado Constitucional de Lima. Os dois equatorianos não foram identificados publicamente.

O argumento do Departamento de Estado

O comunicado enquadra a decisão no compromisso de Washington de defender a governança democrática no hemisfério diante da corrupção e do narcotráfico. Segundo a versão publicada pelo El Comercio, de Lima, a medida se inscreve na aliança hemisférica que o governo de Donald Trump pôs em marcha em março de 2026, e sua mensagem central é que autoridades estrangeiras corruptas não entram mais livremente nos Estados Unidos.

Uma restrição de visto não é uma sanção financeira: não congela ativos nem proíbe operar com bancos americanos. Impede a entrada no país e funciona sobretudo como designação pública — o custo é reputacional e político, não patrimonial —, embora costume preceder medidas mais duras quando a acusação avança.

"Cooperação, sim; ingerência, não"

Mariaca respondeu na mesma segunda-feira invocando a soberania boliviana e o princípio da não ingerência. "Cooperação, sim; ingerência, não. Diálogo, sim; imposição, não", disse o procurador-geral, que negou as acusações e afirmou que não recuará "nem um centímetro" nas investigações a seu cargo.

Entre elas está o caso contra Fernando Cerimedo, ex-assessor do presidente Rodrigo Paz Pereira, preso no presídio de Chonchocoro e investigado por suposta facilitação do narcotráfico. O vice-presidente Edman Lara apresentou em 28 de setembro gravações que, segundo ele, mostram coordenação de Cerimedo com ex-chefes da Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico (FELCN, a força antidrogas boliviana).

A Bolívia pede as provas

Na terça-feira, 29, o governo boliviano pediu a Washington o embasamento da acusação. O ministro da Defesa, Ernesto Justiniano, classificou os apontamentos como muito graves e anunciou que solicitariam informações e provas para investigá-los no país. O ministro de Governo, Marco Oviedo, disse que vão revisar a lista americana e agir para que os envolvidos respondam à Justiça boliviana.

Em paralelo, os presidentes das duas casas do Congresso pediram que Mariaca se afaste temporariamente do cargo enquanto as imputações são esclarecidas. Até o fechamento desta edição, os governos da Colômbia, do Equador e do Peru não haviam fixado posição oficial sobre a medida.

Com informações do Departamento de Estado dos Estados Unidos, La Tercera, El Comercio, Visión 360, El Deber, Rio Times e WLRN.